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Mostrando postagens de Julho 25, 2017

Turbilhão do viver

Turbilhão do viver (24/2/14)

Tudo é paixão na terra de Alice
e quer um palpite?
- A mesmice rasteja no chão.

Tal qual chão quente e infrutífero
faz a vida um sonífero
e forra de interrogação.

Que chapeleiro ou não
tornar-se-ia importante
e levantaria num instante
o punho cerrado em ação?

É, é bem mais fácil o “aceite”
que sempre em quatro paredes
pendura quadros de enfeite
e convida pra comunhão.

Não, nem tudo é poema!
Seja lá qual for o terreno
branco, mulato ou moreno
a vara enverga com o vento
e se quebra num turbilhão.

Dueto CLXXVII

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Dueto CLXXVII (14/6/15)
O cheiro chega mansinho e arrasando, parece dar colorido ao local. Toma conta e faz as contas: o mundo é grande, mas ele também. A mentira esconde na terra sua cara e a verdade retorna célere do além; a terra torna-se improdutiva enquanto o além protesta pelo retorno da verdade. O aroma do inconformismo se espalha: não é possível viver com tanta morte. A sorte estava lançada: vamos erguer nossas espadas, acender os incensos e nos doar por inteiro. A promessa de um mundo novo no grito do mundo velho. A promessa da renovação na ânsia da permanência. A carência de cor em pleno arco-íris no céu. Ao léu, jogados sem escrúpulos, estão tudo e todos. A novidade é a mesma de sempre. A surpresa é estarem todos ali como sempre estiveram. E um vento quente, abafado, fazendo as vezes de alívio. O corriqueiro estava ausente, banalizou o momento e resolveu só voltar na próxima sexta ao cair da tarde. Enquanto isso, é isso. E aquilo que poderia ser vai-se também diluindo em um aroma de …

Pense!

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Os que pecaram, ou nunca pecaram, não atirem pedras.
Desde a antiguidade muitos já faziam bom proveito delas.

Pare por um minuto e pense nas mentes comuns ou raras, nas ideias imaginativas ou simples, nas bocas que comem, calam, falam, e nas cintilantes que cantam belas canções; pense no olhar sereno dos animais selvagens e no olhar dócil e pensativo dos gatos e cães; pense nos pássaros que vem e vão voando em nuvens sobre as águas que correm rio abaixo e em todos os peixes coloridos, ou não, que sobem em contramão; pense, mas não se apresse com a distração... alguém reservou o resto da vida para ter o prazer de pensar em você.

Ótima terça

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Não é física e nem afásico, talvez algo frásico sobre/sob fusão: alcança-se o ponto de ebulição da água 50% mais rapidamente ocupando-se em outra coisa.

Ouro de tolo (Parte II - (26/1/15))

Ouro valioso, rico enriquecido, diamante da noite/dia endiabrado,
Constrói-se um abrigo inimigo de brilhantes errantes e fúteis.
Mundo sórdido de fel, cruel, vil;
Colherada de antídotos e janelas fechadas ao sol mais belo.
Íris, anel, elo, perdão e ar; 
Enxerga a riqueza no breu dos olhos cerrados. 

É amplo o mistério, é mísero o conteúdo da cachola;
Faz-se um mundo imaginário de ostentações e glórias.
Na paz, na tez: espelhos do medo de tudo que se é.

É fechado e discreto o inverno: nuvens negras e tempestades 
(dentro de si próprio);
É trancado e resignado o verão: sol quente queimando a alma
(desesperando o ódio).

Tem que se deixar ir, deixar o corpo livre ao vento;
O gole de absinto do amor – fluir, e finalmente ruir falsos intentos.
Ouro valioso é a vida: goles de eternidade na água rara bendita;
Abrigo é coraçã…