30 de julho de 2015

Mar de doutrina sem fim



Mar de doutrina sem fim
(André Anlub - 12/5/14)

Houve aquele longo eco
Daquele verso forte desafiador;
Pegou carona na onda suntuosa
De todo mar agitado.

Fui peixe insano com dentes grandes
E olhar de bardo;

Fui garoto, fui garoupa,
Fui a roupa do Rei de Roma...

E vou-me novamente mesmo agora não sendo.

Construo meus barcos no sumo da imaginação:
(minhas naves, pés e rolimãs).
E como imãs com polos iguais, passo batido... 
Por ilhas virgens – praias nobres – boa brisa.

Quero ancorar nas ilhas Gregas,
Praias dos nudistas e ventos de ação.

Lá vêm novamente...
Velhas orações dos poetas,
A tinta azul no papel árduo
E vozes roucas das bocas largas,
Mas prolixas:
Mês de maio, mais profetas.

E houve e não há, o que foi não se repete;
Indiferente das rimas de amor...
Vem outro repente...

O mar calmo oferece amparo:
Sou Netuno e aposentei o tridente,
Trouxe um riso com trinta e dois dentes;

Sou mistério que mora no quadrado de toda janela,
O beijo dele, dela,
Da alma ardente que faz o mar raro.

29 de julho de 2015

Mancomunados

WELCOME on the BIGGEST  WAVES of the WORLD!WELCOME on the BIGGEST  WAVES of the WORLD❗✊✌Garrett McNamara rides 90 Foot Wave!!!!!!!!!!!!!�� thanks for the video: https://www.facebook.com/shtompelphotography #surf #biggest #extreme
Posted by DJ MISS FTV on Segunda, 6 de julho de 2015


Mancomunados
(André Anlub - 2/6/13)

Minha alma e coração, comunhão e amizade plena.
Irmãos quase siameses, gêmeos na candura da ilusão. 
Paranoicos, cegados, categoricamente contrariados; creram no embuste da paixão extrema e jazem mancomunados. 

O amor sempre os inspira na grandeza da boa vaidade, e no espelho o olhar que como ouro brilha, tenta trilhar o caminho da verdade. 

Quem ama às vezes sofre, pois, arromba-se o cofre dos anseios e alimentando-se nos seios que repousa justifica o fim, no prazer dos meios.

Surge a pródiga filhota poesia, nos gestos dos versos nobres. Adotada, de passado pobre, mas banhada de aura divina.

Tons fortes



Tons Fortes

O amor é tudo, com as devidas exceções
Acredito muito na força da resistência
Com excelência aperto diversas mãos
Com evidência grito minha paixão.

Escuto num tom de surdo e mudo ecos de AMOR
que ao meu coração penetra, finca e entorpece
Disfarço, sussurro seu nome com perfume da flor

Sem dor posso ser a mágica mais perfeita
A que rejeita o perímetro para tudo que provém do interior
E como se não bastasse, quero mais...
Mais dos ardores dos corações que galopam sem rumo.

Quero mais de mim, ultrapassar limites
reservas, sorte ou coisa assim.

Quero mais que querer ou sentir
só sair de mim...

Que me baste a insanidade
de me apaixonar por você
e por mim
sempre e outra vez.

E na tez de tons fortes
Segurança sem frigidez

E não cabendo preconceitos...

Com o desabar de vários muros
A cura dos cortes se fez.

Bia Cunha e André Anlub

28 de julho de 2015

Para ponderação:


"Uma cultura fixada na magreza feminina não representa uma obsessão por beleza feminina, mas uma obsessão pela obediência feminina. Dietas são o sedativo político mais potente na história das mulheres; uma população silenciosamente maluca é uma população manipulável." 
(Naomi Klein - O Mito da Beleza)


Visite e leia mais: http://www.barbafeita.com/2015/07/gorda.html

tarde de 28 de julho de 2015



Mais fácil ser assado do que assim aos olhos dos outros.
(tarde de 28 de julho de 2015)

Foi como um relâmpago: o Porshe avançava pela estrada sem curvas, ao som de Buddy Guy, a favor do vento, dentro desse óbvio invento em um tempo limpo. E sempre será assim, sempre será uma festa nessa ideia na testa que cria a mulher nua vista pela fresta. Claro que sempre que se conseguir fazer ser assim. Mas na real é um Fusca, que desce a ladeira sem freio, os buracos profundos no asfalto e no fim um poste que o racha ao meio. Sonhos ruins acontecem, são taxados de pesadelos; sonhos ruins são os meios (rodapés ou cabeçalhos) que os deuses tiveram para falar para a gente valorizar ao máximo o tempo acordado. Sendo Porshe ou Fusca, Buddy Guy ou eu na gaita, segue o amor na estrada – segue o foco no profundo. Letras doces, versos alinhados para uma carta de amor... Que horror! isso já está ultrapassado! Cartas seriam para frouxos? As conjunturas favoráveis ao entendimento geral, ao nascer ou pôr do sol, tudo como um magnífico cenário. Tiro as nádegas da envelhecida poltrona e o pijama e apago o cigarro proibido e esqueço-me do próprio umbigo e telefono para ela (tudo assim mesmo, sem “vírgula” e sem pensar muito). Com o horário britanicamente marcado e a camisa passada só falta um bom perfume e a carteira recheada de dinheiro. O corpo há tempos já anda sem um pingo de pudor ou orgulho. Rumo à vida, outra vida, outra avenida (ou tudo na mesma) outro papo furado e o mesmo motel barato. Já sei que acordarei sem jeito e com o peito sobrando espaço; sou um frenético quebra-cabeças de almas. Ou seria quebra-almas de uma mula sem cabeça? Foi como esse relâmpago – começo dessa lambança escrita – que a tarde se foi: levou o último resquício de agonia, deixou um raquítico com a disritmia de sempre sujo, mas puro sonhador acordado. 

André Anlub

O sábio e o tolo

Muitos souberam o que foi ser adolescente durante a ditadura militar no Brasil. Você foi um deles?Às 22h, o filme "...
Posted by Canal Brasil on Terça, 28 de julho de 2015


O sábio e o tolo               
(André Anlub - 24/3/13)

O mais sábio homem também erra,
Erra ao tentar ensinar
Quem nunca quis aprender.

Os tolos morrem cedo!
Senão por fora
Morrem por dentro... ou ambos.

O mais sábio homem
Também ama.
E nesse amar,
Mergulha... e se entrega,
Confia e muitas vezes erra.

Os tolos desconfiam, nunca arriscam,
Nunca amam, por isso acabam não vivendo...
Morrem por dentro e por fora,
Acabam errando sem jamais terem sido sábios. 

Noite de 27 de julho de 2015



Caso falte alguma coisa, a importância da coisa quem determina é você.
(noite de 27 de julho de 2015)

Imbróglios de um hábil ébrio, bem ligeirinho, bem cá e lá como manda o passarinho, num piscar e passar de fevereiro. Desce a montanha uma pedra rolando e segue arredondando-se e se moldando, pulando passageira e de pauleira se esgueira no terreno irregular. 
E vem o primeiro deitar da garrafa: os pés frios, o hálito seco e forte que puxa e pede um dente de alho com gengibre no pão com queijo coalho para quebrar... É de doer, arder, chorar. A banheira está cheia para o descanso mais longo; um banquinho para apoiar a “criança” que deve ficar ao alcance do braço para o próximo paladar. 
E vem o segundo virar: olhos já de faróis baixo; acho que é assim mesmo que deveriam ficar. Nada de solidão, não dou resguardo tampouco guarida; para ventos frios e errados fecho a janela da alma e nela ponho um grosso agasalho... Agora sou só meu. Aparecem algumas sensações vigaristas, mas jogo-as para fora da pista com meu “Mach 5”. A qualidade de vida evidentemente melhora para tentar-se seguir ao fim da história; chegando lá eu faço um churrasco de peixe, bebo acerola, dou meia volta e faço o caminho de volta. Nessa hora, da volta, tento ser uma pessoa diferente, para um acertar e errar diferentes; faço política que não mente, viro mestre em capoeira, vou morar na Bahia e torno-me pescador. Opa, opa, aguenta ai... Pode ser bem isso que aconteça na ida! Veremos.
E vem o terceiro deitar da “menina”: a situação está branca, nuvens brancas, brancas bandeiras. O sol lascou um calor determinado. O azar não existe, mas há um pequeno problema no esquema: fiz fita na cena, arrumei a feira, a queima de fogos, os jogos, a mortadela e os ovos, o peixe dourado, a música de domingueira, o sorriso nos moldes, um cão que não morde, um sacode de primeira... Mas faltou a parceira.

André Anlub

27 de julho de 2015

Coração de um ser otimista



Coração de um ser otimista
(23/2/11)

No lume de caminhos claros,
Em ruas bem calmas,
Ao som de pianos clássicos,
Sigo com passos certeiros.

Vejo roseiras em alfobres,
Perfumando o nariz distraído,
Adornando em insano colorido,
O preto e branco da tempestade.

E na fotografia da mente
Que, enfim, a memória revela,
Com efeitos da primavera
Vejo a janela da realidade.

Risquei do foco a tristeza,
Fiz macro nos suntuosos detalhes;
Acolhendo os desprovidos na sina,
Regando o tempo na filantropia.

De cada gesto altruísta
Eclode nova majestosa flor,
Embelezando o jardim escondido
No coração de um ser otimista.

Dados endiabrados



Dados endiabrados

Em um dado momento a luz despontou em seus olhos, e tudo ficou ainda mais claro.
Meus pensamentos tão distantes destoaram do que sentia ao seu lado – tão raro e tão claro –, mas tornam-se inválidos não havendo a imperiosa presença da reciprocidade, que é semeada, mas não é cultiva. 

Mentiras brotam como erva daninha e assolam o que se espera, o que se nega.

Em outro dado momento vejo o fulgor de um futuro com a faca nos dentes; vejo antigos doentes fazendo de outro momento o maduro. O tempo que se presta, o tempo que se nega, sempre traz a esperança embebeda de ignorância, mas o sábio que amadurece, saboreia o amanhã com esperança. Vão-se tempos inócuos sem os óculos indo a esmo... Vem novo endereço na mesma rua do contentamento. Com ardor no peito, meus anseios não cabem mais em seus desejos, subo a rua acompanhado pela lua, esperando você repousar toda nua.

Em novo dado momento jogo os dados ao vento. Na mesa verde vejo o carteado como o cadeado travesso do nosso tempo. Faço uma torre bem alta com minhas últimas fichas e entrego-me ao acaso e ao tormento.

Rodrigo Marques De Melo Gomes e André Anlub
(27/7/15)

26 de julho de 2015

Parabéns Mick

Sir Mick Jagger, Kt, nascido Michael Philip Jagger, (Dartford, 26 de julho de 1943) é o vocalista dos The Rolling Stones, uma das bandas inglesas de rock mais famosas do século XX.



Luciana Gimenez prestou uma homenagem ao cantor inglês Mick Jagger em seu perfil no Instagram, neste domingo (26). A apresentadora postou uma foto antiga ao lado do vocalista dos Rolling Stones e do filho deles, Lucas, para parabenizá-lo por seu 72º aniversário.

Textos pensamentos



Textos dedicados ao caríssimo amigo: Jacques Azicoff. 

Manhã de 14/4/15 – bardo que brada na quebrada.
Vim novamente da escola da história; aquela sofrida – ou nem tanto. Passo e vejo a rasteira do capoeirista que entorta a pista ou somente meus olhos. Leio enquetes no céu sobre cores do tempo, sobre sofrimentos e felicidades, casos eternos perdidos em uma bolha chamada: “talvez”... E algo mais, ou algo assim – ou nem tanto. Sinto o cheiro de grama encharcada, de cavalo, daquele mato irrigado, daquela bosta de gado – estrume fresco. Pois bem, estou em casa, enfim. Vou fazer café fresco, pão de centeio, queijo coalho e Muddy Waters no som bem alto. Acendi a lareira, o incenso, a ideia e vi o moleque Manoelzinho descendo a ladeira nesse frio congelante e inventivo... Menino sem casaco, sem uma calça quente, sem gorro, sem dente, sem família; voa por cima do muro uma coberta de linho (tenho uma nova que ganhei da minha avó), ele pega e se transforma em um casulo gigante – algo pré-histórico. Deu-me um nó na garganta e não consegui cantar! Resolvi fazer uma oração, calado (antigamente era mais fácil ser enfático, fantástico, fanático, fantasioso e sonhador). Nesse instante um dos santos da estante me olha com um olhar de quem quer dar um passeio; me fala mudo com olhos fixos, e, por fim, me cala em receio. O pego e levo ao outro cômodo e o acomodo em cima do parapeito da janela. Nesse momento o tempo abre, o sol brota tímido e as nuvens quase se transluzem – dando para ver a felicidade ao longe. 

 Noite de 18/4/15 – apoteose poética/divisor de águas.
Na sombra dos medos nasceu o pé de luz (meu pé de cabra arrombador de Eus). E o pé cresceu – se ergueu, ficou forte – criou porte, deu frutos, assim... Amadureceu a chave do mundo – a chave de tudo e futuro eternizado: chavão. Janelas se abrem; se abrem cortinas e vem o beijo do sol e vem penetrando o clarão. Mistérios nas nuvens, e obtusos e abstrusos e absortos. Abriram-se dentro de um aberto brilho no imaginativo castelo os portões. As notícias melhoraram com o céu lavado, o infinito ficou mais perto; ouço aquela menina me chamar para um drink no escuro, ou no inferno, “a la Tarantino”. Visões de queijos, vinhos – paladares de bocas e intestinos, tudo faz sentido de alguma forma. Há um gigante ou há um anão entre o rei e o umbigo, decididamente isso é de fato uma norma. Já ouvi a menina exibindo cantando que nada a deprimia... E depois sumia. Talvez fosse para outra galáxia ou talvez tocasse violino para inspirar um milhão de alguém. Lá vem um inverno rigoroso... Vou colocar um casaco, deitar, ler e tirar um cochilo. Na luz da coragem o pé de luz cresce (além de contador de história, da necessidade de mentir, objetivos, escritos e glórias). Até coloquem palavras em minha boca... Mas que nasçam poesias. Não, não é meramente escrever poesias... É desenhar sentimentos.
Manhã de 20/4/15 – pé na estrada, estado e estribo.
Já de praxe: meu maracujá gelado e a impressão de algo largo longo lerdo no ar. Ser leigo nas conclusões não é estranho? Não, nem tanto! Cobiço sempre pingos nos “is” e até levo desaforo para casa, mas sabendo e admitindo que esteja levando. Sou totalmente parcial e gosto de ter conceitos sobre tudo; mas sabendo que os mesmos podem mudar, admitindo e procurando acertar, caso esteja errado. “Isso ou aquilo” - coisas corriqueiras; mas nada é corriqueiro quando se vive o momento. Há algo no ar: talvez seja somente ar mesmo; talvez seja poluição; talvez seja cheiro doce que ficou na memória; talvez cheiro de comunhão, velas acesas... Esses “trens” com jeito Mineiro (saudade de MG). Vou comer um queijo com doce de leite e goiabada, beber uma cachaça e volto. Há algo no ar: não é comum. É algo turvo, fora de foco, que necessita arremate. Sem martírio! Fiz jura de arrumá-lo, deixa-lo tinindo, seja lá o que for. Em dado momento a brisa invade a sala e sinto o odor de flor de lírio (voltei com duas talagadas de cachaça na cachola). Joguei a moeda ao alto, escolhi “cara”; e foi assim: bateu no chão e caiu no vão da pedra. Peguei a lanterna e fui ver o que havia dado. A luz foi nela e nada! Agora é algo que me tira a atenção e vai à contramão do desejo; pão sem queijo/sexo sem beijo/desconstrução da ação. Peguei o imã, a corda e acabei com o imbróglio; resgatei a moeda, mas no ínterim do resgate/viagem/volta, ela rodopiou na linha e jamais saberei o que deu. Então não perdi nem ganhei... Empatou. Não sei o porquê/por onde/por quem, só sei que danço a dança mais zen. Danço no embalo do samba da vida; na alma o brilhar, bailar de amores cheios de cores, festas e todos. Dança frenética de ritmo e tambores, de velho menino, gigante e rei; de ruas/rios de deuses plebeus; danço na raça, na praça ditosa, no coreto da vitória e no viés do além.
Tarde de 20/4/15 – ação, doação, dor e adoração.
Vem à dor de cabeça, mesmo que imaginária. Vêm os placebos da leitura, escrita e ficar solitário. A versão da história há tempos foi deturpada, pois nunca se faz nada que não traga um avesso apraz. Nada é capaz de entreter intermitentemente os eu próprio capataz; loucura, e é mesmo. (hoje pensei em ir doar sangue). O avesso agora se fez travesso e belo, repartindo o bolo em ¼ de desequilíbrio. Complexo colorido de ajustes perfeitos aos olhos perplexos e mentes entreabertas; mentes de calibres sutis, situações de insinuações sinuosas e citações hostis (tirei a noite para ler Foucault, mas faltou fetiche e o fantoche para findar tal festa). Vem à dor na perna, mesmo que real. Após a corrida vespertina em um suor mais forte, em um sol mais forte, um pique mais forte de um corpo mais fraco. É abril, mas poderia ser sonho; é um mês escancaradamente gordo (novamente a sensação que tenho mais do que preciso/mereço). Os bordões estavam prontos e os bordéis idem: tais “ai” e “hum” e “ha” num vai e vem intenso de dar inveja ao pêndulo do relógio antigo da sala. É mês que escancara; vou dar a cara à tapa e pronto para quaisquer jornadas. (tirei a noite para ler Ana C., vai faltar você. Já cedo faltou enredo, há medo sem meio no querer). 

Noite de 20/4/15 – poética e orgulho das conquistas
Iniciava-se: há ditadores querendo salgar a carne do churrasco. Isso é inadmissível! Fiz aniversário no começo do ano; não tinha bolo, mas tinha bala! E da boa, e bem doce. Não sou mais um consumidor assíduo de doces, só os mais “light”. A criação atualmente é meu carboidrato, minha glicose, minha paçoquinha, meu doce de leite com suco de amora (vou comer torrada com ricota de leite de búfala e, de sobremesa, trufa de chocolate). Agora vi na televisão: mulher deu a luz a cinco crianças; agora olhei para o céu e cinco estrelas se destacaram. Medianamente o meridiano escolhe uma ponta; espontaneamente o espontâneo fica indeciso. É muito siso para um inciso nessa pouca boca; é muito oca para se construir uma oca e ocupar todo espaço preciso (vou tocar Blues pesado na minha gaita de boca e pegar pesado no semblante de louco). Farei aniversário no começo do ano que vem. Talvez tenha bolo, talvez tenha bala! E, de boa: nada de doce.  

Manhã de 24/4/15 – gelo, Absolut e água com gás.
“Êta, porreta, qual é?” Deixo para trás o rompante e no montante e na montanha vejo essa manhã sedenta, tamanha, de inspiração. Manhã avermelhando ao longe... Cereal, frutas, café – sustentação –, o branco da parede e quadros coloridos, aqui. Vou dar minha corrida e ganhar pensamentos; ganhar sonhos e novidades; vou dar minha pitada de irrealidade e abarcar fingindo ser um monge (não escondo a simpatia pelo Budismo; e nem deveria, e nunca assim farei). À revelia estão em quilo/peso à crença contraditória, algumas oratórias sem noção; há momentos em que não me queixo, e o quebra-cabeça se deixa e se encaixa... Na maioria dos momentos não. Prefiro sempre a adequação de ter uma/duas/três escolhas (fiz escola nisso) e fazer o que acho sensato, justo e honesto: sem ordem – desordem – prevaricação, não escondo a simpatia pela pessoa simples, direta, sincera e nada gananciosa. “Êta, disposição”, é bom acordar para vida depois de acordar da cama e depois de anos estagnado; não vou mais reacender tal (nenhum) carma (não foi para fazer trocadilho). Já vivi na lama; já vivi no limo; já vivi no limbo; já vivi sem gama e “me virei” na vida sem colorido – sem poesia – sem improviso, com garrafas e ideias vazias (ou a caminho)... Sem fim, sem confetes e sem ninho. Na obsessão pela saída achei a poesia. Hoje a amo sem a necessidade da recíproca e/ou carinho.

Madrugada de 25/4/15 – Bovarismo e quão de Marx.
Não se diz ganancioso, apenas não se contenta com pouco; só não percebeu ainda que também não se contenta com muito. Uma corda: já baixou a noite, deitado e cansado vejo pela janela as estrelas sorrindo no céu; faz um frio atípico que pode futuramente principiar um temporal (tem sido a poesia que me invade e, em alarde e envaidecido, sigo saciado na sua maestria). Já fiz minha leitura noturna, escovei os dentes e bochechei o enxaguante bucal. Vou até a cozinha e abro o freezer deixando sair aquele bafo de fumaça gélido e gostoso, pego um copo comprido e coloco gelo até a borda e na porta a garrafa de vodca (resfriada/intensa – branca/alva – coloidal/viscosa – irresistível/fatal). As asas querem voo, me incomodam, querem que eu volte à leitura ou pegue a caneta. Mas com o copo na mão e o líquido na cabeça: estou de muleta. Um acordo: fiz um acordo certa vez, um pacto com um dos meus medos e com o mais forte deles. Nosso encontro foi em sonho: eu solitário no mar com ondas gigantes – é impossível estar sozinho quando se tem ondas gigantes, mas eu estava –, nada de terra em volta, nada de ilha nem sequer um barco. O medo voava enquanto soltava uma forte chuva sobre mim e soprava um vento muito frio e extremamente forte, no estilo terral, que fazia nas ondulações pequenas chuvas ao contrário. Era um cenário “Hitccokiano”, só um pouco pior, que parecia durar uma eternidade; eu gritava a ele para deixar-me livre, para expor a verdade, para não me enrolar mais... Ele concordou e eu então acordei (pássaros que vem e que passam também são os pássaros que ficam). Quando o tempo passa em branco é como estar alegre na jaula o Corvo; se acomodando no contrassenso de ser castrado da liberdade do voo. Um acorde: pego minha faca importada, minha faca de guerra, sento na varanda ao relento e começo a amolar – é um bom passatempo. A madrugada grita em silêncio, os cães das casas vizinhas e os daqui fecharam suas bocas sorridentes e babonas. Agora falta pouco, falta o parco: um mar, uma vara de pescar, uma lua cheia, inspiração e um barco. 

Madrugada de 27/4/15 – a enorme saudade do amanhã.
Sempre me flagro longe, pensando na minha velhice, na minha careca reluzente e no meu coração ainda batendo e amando, pescando em águas calmas e fartas de peixes e poesias; é recorrente. Penso no meu futuro barco simples, azul turquesa, nas águas de uma cidade do nordeste. Um barco com aquela tradição de um nome feminino escrito em letras simples e sóbrias nas laterais da embarcação... Há um tempo eu colocaria alguma pintora que gosto, que simbolizou algo em mim: Tarsila ou Djanira ou Haydéa ou Malfati ou Mittarakis...  Mas hoje em dia mudei, e o mais provável é que seja o nome de uma das escritoras que também me marcaram, nas leituras e/ou nas respectivas histórias: Emily Dickinson ou Sylvia Plath ou Ana C. ou Carolina de Jesus ou Virginia Woolf ou Beauvoir... Ainda mergulho de cabeça em uma paixão; mas checo a profundidade e a temperatura da água, coloco touca, tapa ouvidos e vou. Na varanda, na minha cadeira, cães deitados ao meu lado e o ar gélido, céu limpo e insetos me observam. Dou uma talagada no suco gelado de maracujá. Vou-me ao repouso, repousar o corpo, a mente, o bloquinho e a catarse que adoro, pois me persegue nos momentos mais curiosos, gráceis, carrancudos e inesperados. 

Madrugada de 1/5/15 onda só – assaz bela, mas só.
De quando em vez é melhor parar de pensar chatices. Na árvore da vida nunca se sabe qual galho segura o fruto, qual está podre e qual segura o fruto e se quebrará em podre. De qualquer maneira se deve adubar sem o adubo dúbio do mais fácil, trivial e raso. O abajur aceso ilumina meu conhecido bloquinho. E as sombras feitas na parede dos objetos que se mexem pelo vento do ventilador desafiam a imaginação. Taparam meus olhos para uma futura surpresa; desataram minhas mãos para os fatos do mundo. Ouvidos voam atrás de boa música e o corpo clama pela sobremesa. Agora não há tempo; não desisto nem do que desisti. Vivo remoendo vis charadas. Há tanta história dentro do prólogo que poderia até parar aqui. Mas vou além, o voo e lotes me aguardam nos vales querendo sociedade. A língua está solta como nunca, a mente tinindo de alegria, e a sensação de nunca ir dormir sozinho. Há mares e meu barco adentrando, meu doce mergulho e minha pescaria; não quero salgar demais o peixe – deixa-lo muito tempo à espera – só o necessário à língua. Meu amor/(a)mar, estou indo. O que será que acontece quando a aranha tece a melhor casa, a zona de conforto? O sono vem arriando, gancho mental de direita; agora é fugir do lógico e ir ao básico do orbe. Desligar o tri e bifásico. No mundo incógnito do ontem do amanhã do agora – ninguém é rico ou ferrado, pois não importa aos olhos de Deus que governa. Como não deveria importar nesse mundo aqui fora. Na pré-adolescência, durante e pós, fiz inúmeras amizades, percorria o RJ de camelo para cima/baixo, ia a diversas turmas de rua – Hilário, Constante, Leme, Figueiredo, GEL, Ipanema, Arpex, Catete, Glória, Botafogo para trocar ideias, fazendo assim amizade com várias mentes pensantes de histórias e ideologias diferentes. Sou humilde no trato com os amigos e complexo comigo.

André Anlub

Beltrano dos Santos



Beltrano dos Santos
(André Anlub - 18/5/14)

I
Ao final da tarde
As flores enfim se mostram
(mais dela) submissas, 
Num colorido real e pétalas
Como olhos famintos de belo.

Ela, dama, atravessa os jardins
Os passos tímidos e sutis,
Abrindo os lábios
E deixando brotar as próprias cobiças.

Um artista do amor sorri,
Aponta seus dedos magros, 
(outrora gordos e inebriados de nanquim):
- Ai, ai, ai, é o fim, ela não me notou...

Choram eu, ele, você e os jardins.
E o chá, um sopro para esfriar;
Vem aqui – foi lá.

A fumaça do tabaco profana a luz
Que atravessa a janela
Adentrando o quarto,
Trazendo a beleza que há
Aos olhos abertos
No limpar das remelas,
No sonhar – realizar e fazer jus.

II
Beltrano dos Santos é uma figura,
Já foi profeta,
Mas não se mostrou...
Só ele sabia;
Nas alquimias que os anos trouxeram
A derradeira ainda estaria porvir;

Mas ele não tem pressa,
O amor não tem pressa,
E o que só interessa
É o acreditar sem fim.

III
Pouco riso é muito siso,
Muito sexo é pouco nexo.

Sempre visa onde pisa
E nunca deixa o azar de eixo. 

Fez o louco de poesia,
Desfez o sóbrio na boemia;

E na mais-valia das prosas
E intentos,
Situou-se na graça
Da rosa dos ventos.

IV
Já me afoguei em versos (3/8/11)

Sempre sorrio com uma boa música,
Um bom poema;
Ou com o sol (mau ou bom)
Nascendo ao longe...
Num céu azul quase turquesa,
No alaranjado ao vermelhidão
Que borra a folha
E desfaz a resma.

Penso em expectativas de renovação;
Posso agora me dar ao luxo
De em nada pensar.

Já me afoguei em versos,
Tirando os pés do chão
Vou redesenhando o que já é novo.

Indo em busca de ocupar anseios
Novas escritas (esquinas)
Novos meios (receios)
Novas criações (pirações)

Confesso que tenho medo das anuências,
Quão o simbolismo de estar vivo:
- Um objetivo,
- Uma obrigação...
Pois não sou assim, nem assado!
Sou deixado como semente ao vento.
(vou vivendo)

Já me afoguei em versos,
Versos duros - que incineram,

Fui fundo...
Ao ponto onde não havia mais luz.

Levei minha fé (memórias)
Levei minhas perdas (histórias)
Levei quem sou e quem fui (caráter)

Quando se volta se inicia,
Existe a certeza da descoberta
- Existe a escrita de companheira
Pois alegria não é viável
Antes de estar disposto a reparti-la.

V
Meu Sangue (4/1/13)

Voo entre a terra e o céu,
O sonho que crio na escrita.
Lua que derrama no papel,
Sol que desbanca na tinta.

Vivo em copiosa adesão:
Fome e vontade de comer.
Tudo na mão e contramão,
Auge do exagerado querer.

Noto o sangue correr ligeiro
Tragando minhas entranhas,
Travestido em mil façanhas.

Noto o vermelho em cores,
Transformando dor em amores;
Poesias são alimento e anseio.

A realidade concorre
Com minhas vertentes,
E elas, céleres e insanas,
Sempre saem na frente.

“Rabiscador” do mundo,
Homem que voa.