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Biografia quase completa

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Escritor, autor de cinco livros: Poeteideser de 2009 (edição do autor), em 2010 o e-book Imaginação Poética, em 2014 a trilogia poética Fulano da Silva, Sicrano Barbosa e Beltrano dos Santos, em março de 2015 lançou Puro Osso – duzentos escritos de paixão e o livro de duetos A Luz e o Diamante, todos pelo Clube de Autores; em novembro de 2015 lançou o livro em trio “ABC tríade poética” pela PerSe e em 2017 lançará Gaveta de Cima - versos seletos, patrocinado pela Editora Darda. 
Como coautor participou em mais de 80 Antologias Poéticas em papel e mais de 20 em e-book. 

• Técnico em Prótese Dentária formado pela SPDERJ.
• Artista Plástico com obra no Acervo Permanente do Museu de Arte Contemporânea (MAC) da Bahia.
• Membro N°55, escritor e conselheiro da Associação Cultural Poemas à Flor da Pele (RS)
• Consultor pela Editora Becalete.

Academias:
• Membro vitalício da Academia de Artes, Ciências e Letras de Iguaba Grande (RJ) Cadeira N° 95
• Membro vitalício e Embaixador Internacional da Academ…

Pérola na Ostra

Pérola na Ostra (29/6/12)

Palavras soltas, indo com o vento
São como as idéias que habitam a escuridão
Rebentos que eu mesmo invento
Pura e unicamente classificados de suposição

O julgamento final de minhas ações
Tal qual as palavras que deixei de escrever
São unidas com pensamentos em vão
Que desuniram o mais sincero bem querer.

Perdido em vírgulas, parágrafos e pontos
Jogados em papiros com teclas
Que nascem minhas poesias e contos
Sem luzes, escuridão que renega.

Sublinhado pela tinta de corpo e forma
Letras tortas, curvas e retas
Seguindo manuais, escritos nas normas
Sem destino, puramente, sem regras.

Fecho a ostra, guardo as idéias
Desligo-a de uma tal de tomada
Milhões de criatividades são centopeias
Que andam e moram dentro do nada.

Das fagulhas

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Das fagulhas (27/05/17)
As fagulhas da vida acendem as fogueiras mais esquecidas Aquelas que pareciam extintas renascem reabrindo feridas. Com o andar certeiro e sereno atravessa-se a estreita ponte; Olhos firmes através do nevoeiro e nas mãos um livro de poesias.
Dentes que querem morder; Pesadelos que querem morrer; Os músculos não são minúsculos; Ainda resta muita coisa a fazer: Sinto e conto os segundos...
Estabelecido os limites, os lamentos derramam-se aos litros; Criando inícios, possíveis meios e novos fins. Há enfim o vulcão que explode por dentro e queima por fora... Foi-se a aurora: Põem-se ao por do sol as sublimes asas... 
Tempos de açúcar e sal, mel e alguns temperos destemperados... Mas a solução na contramão do tempo, sem lamento ou consentimento. Atrelado no meu sonho de ter um barco há um poder colossal; Ponho no papel – em primeira pessoa – a brincadeira que faço com as palavras.

Esfera serena

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Vem ai:


Esfera serena

No papel que pela vida é dado,
Numa novela mexicana frenética;
Em canetas que sangram as tintas
E abraçam as ideias e abrem as janelas.

Há vivas uvas ainda nos cachos
Na esperança de tornarem-se vinho;
No absinto de um achismo moderno:
Eterno feitiço, perene façanha, farto fascínio.

A vivência dos que não veem a violência,
Na indecência do luxo de serem cegas;
Clamam em plumas, rimam e pregam...
Vozes roucas em uma aquarela sem cor.

Há pequenas películas transparentes
Nas paredes de prisões confortáveis;
Há nuvens brancas em céus instáveis,
Anunciando olhos e sonhos fugazes.

Veem-se excelências e suas essências vorazes
Cantarolando alto por todas as partes,
Canções novas de um velho compositor,
Aquele redentor que constrói novos lares. 

Em pífias poses do desconforto do pleito,
Fazem-se modelos de suas próprias fotos;
Criam fatos, criam fetos, creem em feitos...
Dentro do falso globo sereno e perfeito.

André Anlub
(27/05/17)

ótima noite

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Compreensão, perdão, amor – a parcimônia de quem cultiva passiflora e a doce monotonia de quem transpira melatonina... Minha candura cascuda e otimista persistiu e venceu uma possível misantropia metediça e movediça.
Fazer parte da paisagem, como miragem; ter esperança com segurança, brio e equilíbrio... é assim que se vive – meu alvitre; é isso que se deve solver – meu parecer. É e será assim do princípio ao fim.
Lá se foi o passarinho,  Por entre os coqueiros mergulhou na maresia...  Deixou um frágil dedo apontado ao infinito,  Colado ao sorriso do rosto da garotinha.

Boa noite

Geralmente cobramos bem mais que ofertamos! - 'Se conhecer' é o segredo da coisa; ao nos conhecermos melhor - defeitos e qualidades - descobrimos o quão temos que nos consertar, e constatamos que temos tanto trabalho que não há tempo a perder tentando consertar os outros.

Ir contra a maré, bater de frente com o Sistema e criar seus próprios preceitos são atos revolucionários. 

Não se venda ao Sistema; não aceite ser trem e voe.

Que fatalidade: ao fechar seu zíper, Zappa perdeu seu Zippo; ficou com o fumo, mas sem consumo, sem fogo, sem fósforos; ficou famélico e – quem diria – com fisionomia de abstêmio, perfume de absinto e sorriso de feijão-fradinho.

É a hora de Botticelli pintar-te

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É a hora de Botticelli pintar-te

Tu és a oitava maravilha do mundo;
És amor, nostalgia e atualidade,
A alegria que criaste ao redor.

No suor da tua labuta e na gota do teu pranto,
Há o brilho da vida minha; 
Há o tempo que é nosso dono.

Fizeste meu ar mais ameno, mais leve,
E em breve momento fizeste nosso destino...
Que agora eternizado.

Tens nas mãos a magia,
O poder de dar vida no que tocas.

Tua fala levanta voo nos teus cantares;
E na pequenez de curtos versos,
Nascem grandes histórias, cordéis... dos melhores.

Digas sempre sim, minha alma carece deste afago,
Deste amor, deste odor e de teus flertes.

Foste lá, no colorido do novo mundo,
Onde os poetas sorriem e erguem castelos;
Onde os martelos penduram belas pinturas,
Onde esculturas são vivas e beijam,
Onde há o amargo só nas frutas mais verdes.

Fado da censura

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Fado da censura

Neste campo da Política
Onde a Guarda nos mantém,
Falo, responde a Censura;
Olho, mas não vejo bem.
Há um campo lamacento
Onde se dá bem o gado;
Mas, no ar mais elevado,
Na altura do pensamento,
Paira um certo pó cinzento,
Um pó que se chama Crítica.
A Ideia fica raquítica
Só de sempre o respirar.
Por isso é tão mau o ar
Neste campo da Política.
Às vezes nesta planura,
Se o vento sopra do Norte,
O pó torna-se mais forte,
E chama-se então Censura.
É um pó de mais grossura,
Sente-se já muito bem,
E a Ideia, batida, tem
Uma impressão de pancada,
Como a que dão numa esquadra
Onde a Guarda nos mantém.
O pó parece que chove,
Paira em todos os sentidos,
Enche bocas e ouvidos,
Já ninguém fala nem ouve.
Se a minha boca se move,
Logo à primeira abertura
A enche esta areia escura.
Só trago e me oiço tragar.
É uma conversa a calar.
Falo, responde a Censura.
Vem então qualquer vizinho,
Dos que podem abrir boca;
No braço, irado, me toca,
E diz, «Não vê o caminho?
O seu dever comezinho
De patriota aí tem.
Vê o caminho e não…

Imaginação Mestiça

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Branca paz, vermelho sangue e azul turquesa
Sobre a mesa fria... Uma marmita e um finado
Uma carta em uma trincheira e o soldado
Traição, vida e morte são realeza.

Imaginação mestiça (2/1/16)

A imaginação dentro de seu raro aço,
Desembaraço das peças da adivinha,
Das vinhas – o vinho e o ‘barato’ – num corte
Espadas, esporas, gumes de facas
Os escárnios dos abstêmios, todavia...

Faz louca e bem-vinda toda a vida,
Sua moradia em peles ambíguas:
Branco no brando do plácido coelho;
Ao réu e aos ratos é cingido na cor cinza...
E impura e sinistra e baldia.

Bombas ao baixo, mãos ao alto, bom dia
Violência chorando na esquina chuvosa...
O touché na esgrima fez pontada na costela;
Eu e ela, vale a rima do nosso arrimo, nebulosa,
Sutileza e sangria e doce e vinho – melancia.

De aprontado feitiço nascem como hortaliças,
Nas ruas as nuas imagens em paragens insanas;
São fálicas e frígidas, finas piolas nada pulcras.
Tudo ao teor do amor e do terror da fantasia.

Esculpidos e arrazoados vemo-nos em vigília 
Ao renascerem…

Ótima tarde

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Testamento
Manuel Bandeira

O que não tenho e desejo
É que melhor me enriquece.
Tive uns dinheiros — perdi-os...
Tive amores — esqueci-os.
Mas no maior desespero
Rezei: ganhei essa prece.

Vi terras da minha terra.
Por outras terras andei.
Mas o que ficou marcado
No meu olhar fatigado,
Foram terras que inventei.

Gosto muito de crianças:
Não tive um filho de meu.
Um filho!... Não foi de jeito...
Mas trago dentro do peito
Meu filho que não nasceu.

Criou-me, desde eu menino
Para arquiteto meu pai.
Foi-se-me um dia a saúde...
Fiz-me arquiteto? Não pude!
Sou poeta menor, perdoai!

Não faço versos de guerra.
Não faço porque não sei.
Mas num torpedo-suicida
Darei de bom grado a vida
Na luta em que não lutei!


PAIZINHO (Sylvia Plath)

Não serves, não serves,
Não serves mais, sapato preto
Em que eu vivi como um pé
Trinta anos, pobre e branca,
Mal me atrevendo a respirar ou atchim.

Paizinho, eu TIVE de matar-te,
Morreste antes que eu tivesse tempo,
Mármore pesado, saco repleto de Deus,
Estátua medonha de dedo grande cinzento
Do tamanho …

Nos olhos

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Tapete vermelho do amor (22/5/13)

Saiu a lista dos apaixonados do ano
nem sicrano, nem fulano
meu nome estava lá
foi magia
em primeiro lugar
quem diria
mas, por favor, não vão me alugar...

Já era de praxe
peguei pesado no sentimento
amei além da imaginação
não teve um sequer momento
que eu não tenha acertado na mão.

fiz o bê-á-bá certinho
o arroz com feijão.
Rezei conforme a cartilha
e para não perder-me na trilha
segui cada pedaço de pão.

Comecei como homem de lata
levei na lata, fiquei em frangalho.
Nunca levei jeito pra espantalho
sobrou muita coragem pro leão.

Por causa da inspiração
deixei de me acabrunhar num fosso
tornei-me de cerne, carne e osso
e fiz da poesia oração.

Ótima semana aos amigos Poeta Hei de Ser

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Foste no preto e no branco
E trouxeste na mente
Aquela ideia de mim.
Fazia nove anos
Dos sorrisos benfeitos
Nos olhares, trejeitos.
E o coração nada ardil...
Apego de zero a mil
É paixão até o fim
Amar tim-tim por tim-tim.

O corpo foi na onda e saiu do dilúvio,
Forte e firme em direção ao sossego;
O abraço (prévia do beijo) fez-se ao relento
E o medo (descalço e bêbado) caminha viúvo.

Aceita os defeitos, 
entende os erros 
e nem percebe as diferenças;
pelo simples fato de saber 
que o perfeito é utopia.