Sigam-me os bons

22/08/2014

Ponderações matutinas:




Olhos azuis de cegos

Jovem, bonita e mortal
Uma crônica cólica romântica pode até ser fatal
Mas para corações fracos e desprotegidos
Quase todos que há.

Ela deixa o sujeito de quatro, febril e sem norte
Clamando pela morte sob o ataque juvenil
Em um labirinto do fauno, entregue a própria sorte
“A inocência tem um poder que o mal não pode imaginar”.

Quando se alcança uma idade avançada há uma predisposição
Uma espécie de paixão pelas coisas mais novas
A luxúria de cunho sexual e erótico movido pela imaginação
O que foi rima vira verso, o que foi verso torna-se prosa.

O poder da juventude é efêmero e nada discreto
Existe o enorme preconceito pelo ultrapassado ou velho
A pureza do novo, que ante visível, assim não é mais reta
Sinuosa estrada que no final volta ao seu início.

Nas margens do caminho há no limite o precipício
O verdadeiro mergulho na vaidade não tem volta ou arrependimento
Faz uma vida de angústia, um ímpio no hospício...
Que vaga por orifícios das seringas de rejuvenescimento.

Enche com silicone os egos
As amarguras com cimento
Vê-se no espelho por um momento...
Com olhos azuis de cegos.

André Anlub®

21/08/2014

VIDA VIVENDO

A vida como em poucas vidas vive,
por mais que a solidão vida me cave
em todos os lugares onde estive,
feito um piloto em busca de uma nave.

A vida, como a morte, sobrevive
em cada podridão que não se lave
por mais que grande dor de dor se crive,
pensando ser a porta ou ter a chave.

A vida como o sol que não se move
aos olhos de quem tem a alma leve
feito uma plantação depois que chove.

A vida como tudo que não deve
ser confundido com o que comove
apenas porque sua história é breve.

(Rogério Camargo)

Antologia Confissões...

Podem me encontrar também por aqui: Antologia Coletânea - Confissões pela Editora Darda:

20/08/2014

Abraçando causas...

Se for para abraçar um causa, é muito mais produtivo jogar a semente do “salvem os golfinhos” do que a semente do “não existem sereias”.

André Anlub®

19/08/2014

Há Lençóis...


Animal do bem e o tal
(André Anlub - 28/05/13)

São animais indiscretos e contemplativos,
Na mansidão imaginária e cada vez mais.

No hipotético paraíso na zona de conforto
Vão chegando, vão vivendo outros desafios,
Pés que não cansam de andar fora dos trilhos.

Vê-se os trilhos do bonde
No pé das frutas do conde,
No entorno do misto dos milhos
Com as doces e tortas espigas
Do conde de monte cristo.

Na ré do trépido bonde,
Tudo trepida e o vinho vai longe...
Entorna, esguicha e mancha
A roupa de linho da moça
Que o pranto fez poça (a olhos vistos).

São animais de cegos charmes
E quase sempre atrapalhados,
Na obsessão que alguém os agarre
Salvando-os do fortuito afogamento
Dos salgados e amargos mares.

São animais como nós,
Com nós nas vis ventas;
Que inventam o ar atroz
Logo após se lamentam.
Só cantava para o mar
aquilo que o mar
já cantava para si mesmo.

..........................

Olho nos olhos da tarde
e vejo lá o brilho da manhã
já cansando.

..........................

Estava tudo lá.
Então foi lá que fiquei
quando não quis mais nada.

..........................

Vivi de viver.
Nada mais era essencial.
Nada era a resposta
para a pergunta que eu não fazia.

..........................

Antes de me despedir,
cheguei à beira do penhasco
e ele era uma nuvem rosada.

..........................

As estórias da História.
Quando me vejo em mim,
é um retrato falante.

..........................

Eu cultivo rosas e rimas.
Quando forem outra coisa,
ainda serão rosas e rimas.

..........................

Uma janela aberta
para outra janela aberta
continuar abrindo-se.

..........................

O que me vens falar
me falar já veio
sem que me viesses.

(Rogério Camargo)

18/08/2014

Alterando ditados...

Alterando ditados para um futuro promissor (parte II) 

“Menino, você vai ser rico e vencer na vida”. 
- Não! Tentarei ser o que eu quiser para mim, o que me faça feliz e pleno; a vida é para ser vivida com muito amor; a vida não é uma corrida que se é obrigado a chegar em primeiro dentro de normas preestabelecidas.

“Menino, você será engenheiro, médico, advogado, jogador de futebol, pagodeiro, pastor, político e será muito rico”.
- Sim ou não, eu decido! Serei o que eu quiser ser, pois não nasci para viver a vida que projetaram em mim, a vida que outras pessoas queiram; tenho escolhas próprias e aviso desde já que a choradeira de todos está liberada.

André Anlub®
(17/8/14)

17/08/2014

UMA VEZ SÓ

Todas as vezes são uma vez só,
tudo tornando ao pó de onde saiu;
se não saiu, ainda resta ao pó,
que segue só por onde não partiu.

Poucas as vezes são de ver o nó
deste rondó de um baile fugidio
sumir, sumiu, sumido sem dar dó
de ficar só ante o que descobriu.

Caídas as amarras emperrantes
escarras como nunca talvez antes
as hesitantes leis em que te agarras.

Talvez se te ocupasses com a vida
deixasses toda morte adormecida
e aborrecida de afiar as garras.

(Rogério Camargo)