1 de julho de 2015

A cada passo um ar mais puro

pete sperling at middles                  [tim bonython]
Posted by Pod's Pics on Terça, 30 de junho de 2015


A cada passo um ar mais puro
(André Anlub - 1/6/13)

Ela voltou, trouxe algumas flores silvestres,
Vamos agora, juntos, pela nossa rua do apego.
A calçada é larga e o sol que fulge sempre,
Há cães que não ladram e gatos nos telhados.
De longe, bem ao longe, alguém clama companhia.
Lá, onde habita o delírio, tudo existe...
E ainda insistem até mesmo em chamar de “amores”
As variedades de corações em combustão.
Mesmo com a enorme falta de enzimas e excesso de buzinas,
Reinam os notórios e imortais motores...
Nem mesmo as dores conseguem atenção.
É lá, toda a inquietude e desassossego,
Estão vendo mal de perto como funciona o medo,
E estão cansados, mostram-se exaustos.
Mas nossa estrada é larga, como já foi dito,
Há espaço e apreço para tudo e todos,
As intolerâncias não crescem no infinito,
Quaisquer que sejam e venham à tona.

manhã de 1 de julho de 2015



Variações do (e dando no) mesmo: espelho para o comodismo
(manhã de 1 de julho de 2015)

Continuando falando em flexibilidade antes de entrar no meu humilde novo voo: não se deve confundir a flexibilidade no comportamento em conjunto com a mesma no tratar pessoal (não descartando que possam coexistir); o flexível tem uma enorme capacidade de adaptação ao mudar de relacionamento, moradia, região, cidade ou país. Ele é nômade por excelência e cria sua raiz renascendo novamente em/na/uma nova árvore. Essa mangueira (pessoal: adoro manga e mangueira) dará frutos e as sementes serão bem guardadas a sete chaves para (caso seja necessário) o replantio em uma nova terra. Por outro lado o inflexível, de um modo geral, é pessimista, corriqueiro, cético, rotineiro e comodista. O comodismo parece ser um paradoxo, mas explico: o inflexível comodista é aquele que estaciona onde se sentir protegido, mais à vontade, em sua zona de conforto; tem medo de mudanças e terrenos desconhecidos, geralmente são encarcerados aos lugares onde foram criados e cria um vínculo extremado, às vezes doentio, com hábitos e amizades antigas, sendo também dependente sentimental da família e de pequenos e grandes bens de consumo. E por falar em família (mudando de pau para cavaco): vivemos uma grande e cheirosa utopia da família perfeita, e essa fantasia tem levado muita gente ao caos, às preocupações supérfluas, insônias e situações de atos extremistas. Alguns pais criam seus filhos em uma bolha de mimos, presentes, excessos, medos, preconceitos e fobias. Essa história da construção da família perfeita não perdura, pois simplesmente não existe. É uma arquitetura retrógrada, que já não dava certo antes, de construção frágil, falida, que já nasce nos escombros, pois a mesma é permeada de sonhos errados, da contramão da mídia, das capas de revistas e dos filmes de final feliz. Essa edificação se ergue erroneamente, pois – mesmo que muitos não saibam – apoia-se em três pilares: na cruel aversão, em moldes arcaicos inexistentes e na sociedade excludente. 

André Anlub

Dueto da tarde (CXCII)

#TransandoComLaerte agora na TV! Laerte conversa com o crítico Jean-Claude Bernardet e aborda temas como o...
Posted by Canal Brasil on Quarta, 1 de julho de 2015


Dueto da tarde (CXCII)

Não foi uma vez nem duas. Nem só uma vez dentro de cada vez
Foi a timidez vadia, ousada, que nada contra a corrente, nadando ao nada.
Do alto do muito embaixo as palavras tinham discursos bastante elevados.
Faziam caretas e se organizavam para formar ideias, onomatopeias singulares.
Significados e significandos de significativa insignificância dançavam conforme a dança do ritmo qualquer.
Astronautas do espaço das mentes pensantes; passantes céleres das mentes sedentárias.
Não foi duas nem três vezes. Nem tampouco se gastou a ponto de não estar sempre ali.
Em tom de fá, lá todos os focos dispostos nos fatos em si. O sol ilumina as palavras que surgiam e ungiam nos faltantes: dó, ré, mi...
Alguma coisa mais lúcida desponta com o sol. Mas o sol desponta atrás de nuvens cinzentas e elas querem apenas chover.
Deixa eu ver se entendi: não foi uma vez nem duas nem três; vocês dessa vez querem é me confundir.
Alguma coisa mais lúcida quer ver se entendeu. As nuvens cinzentas falam apenas de chuva e nada mais.
O sol sempre contundente quase perde um dente ao lutar boxe com as estelares palavras.
Nas suas anotações, que os ventos carregam para os confins do esquecimento, podiam-se ver: uma vez, duas, três... 
Cartas nada castas com entrelinhas secretas de amor: poemas ecléticos e escritos libidinosos, prosas categóricas e sonetos diversos, tudo endereçado ao além... tudo muito claro, se não fosse tudo muito confuso.

Rogério Camargo e André Anlub
(1/7/15)
Se houve coisa que aprendi na vida foi esta: o único responsável pelas minhas reações sou eu mesmo, mais ninguém. Por pior que seja o comportamento de uma pessoa, quem produz a reação a ele sou eu, não ela. Entender isso com a seriedade que a constatação merece leva a duas revoluções. Primeiro que a gente para de exigir que os outros deixem de ser o que são apenas para atender a nossas conveniências. Segundo que, com um pouco de atenção, interesse e coragem, aproveita-se esta inversão de foco em benefício do conhecimento de nós mesmos. Se alguém me incomoda, antes de querer arrancar-lhe a cabeça e achar que isso está muito certo, volto a minhas forças para algo muito mais útil e nobre: entender por que estou me incomodando. Aquela afirmação sartreana tão difundida – o inferno são os outros – é um artifício muito cômodo e, ao mesmo tempo, atrapalhante. Porque se o inferno são os outros, estou justificado: não me sinto bem por causa deles, não sou feliz por causa deles, tudo dá errado por causa deles. Se alguém parasse no meio da rua a gritar para os passantes: “Deixem de ser este inferno, que eu quero viver bem!” todos iríamos achar que ali vai um desequilibrado. Mas não é exatamente isso o que fazemos quando cobramos deste ou daquele que deixe de ser assim ou assado porque isso nos faz mal? É. Podemos dar o nome elegante que quisermos para esta cobrança, não vai mudar nada. Ela não vai deixar de ser jamais o grito de uma interpretação errada do mundo e das coisas do mundo.

Rogério Camargo  

madrugada de 1 de julho de 2015



Erros ou acertos: aceitos ou não, é sempre bom se conhecer.
(madrugada de 1 de julho de 2015)

Sou a favor das lutas, da pessoa defender o que achar correto.  Sou a favor da justiça, e por isso não desqualifico, desconsidero nem deslegitimo quaisquer tipos de causa (nem tenho esse direito). Em primeiro lugar o que for justo, merecido. Tento o máximo possível me colocar no lugar da pessoa e da sua luta; ouço, analiso, leio sobre tal, procuro verdades, meias-verdades e mentiras e tento direcionar o meu foco com os olhos do outro. Sou extremamente flexível, por isso tenho uma capacidade ampla de ficar, mesmo que metaforicamente, no lugar da pessoa (na grande maioria das vezes funciona). Às vezes mergulho a tal ponto que me transformo nela. Mas isso é algo que considero particular, não afeta meu ponto de vista, e assumo que possa ser sintético – indução do meu subconsciente – a mente pregando-me uma peça. Por essa flexibilidade, por ser vara de bambu, também há o lado aceitavelmente ruim (a meu ver). Mas vamos analisar o ser imutável: quando somos irredutíveis em nossas vidas, não aceitamos quaisquer imposições e situações, tornamo-nos uma madeira dura. Mas nos enganamos ao pensar que essa lenha é inquebrável – pelo contrário –, ela se quebra e se emenda sempre. O inflexível compra brigas (literalmente) e vai até o final, ganhando ou perdendo; não aceita conselhos alheios – ou até aceita, mas dificilmente segue. Ele torna a vida um oito ou oitenta, quer os pingos nos Is, ou até mesmo a falta dos pingos e dos Is... Caso seja isso que queira. Em suma: o sujeito se fragmenta e se integra com mais facilidade, então se criam vidas paralelas, caminhos, atalhos; a pessoa tem um pequeno atrito com outrem hoje, ela esquece ou perdoa ou simplesmente passa ou apaga – amanhã nem sequer lembra direito do que aconteceu, a assim segue sua vida – como uma infinita luta de boxe – levando e dando bordoadas.  Quando o sujeito é flexível dificilmente haverá a capacidade de se desconstruir uma imagem negativa ou positiva (mas é possível). O flexível jamais esquece quando for uma mágoa grande que lhe foi sofrida, e jamais se esquecerá de onde/como/porque a máscara do outro caiu. Um adendo: o flexível geralmente leva a situação com aceitação; não perdoa ou esquece, apenas analisa a situação de maneira reflexiva, fria, prosaica e cuidadosa; um misto de um quase psicoticamente com quase empaticamente (por isso há o pequeno conflito)... Ele entende que hoje o sujeito errou, desconsidera a conjuntura, pois sabe que inúmeras influências externas podem estar afetando o estado, as conclusões e interferindo em suas ações, e tem plena convicção que amanhã possa ser ele próprio a cometer um erro. Mas dificilmente cometerá esse erro que foi presenciado.

André Anlub

Todo amor


Todo amor          
(André Anlub - 1/3/15)

É redundante, mas esse atroz falante vai se alongar:
Já não bastavam os anos vividos? 
- não!

Quero mais do nosso rio – me beije e me abrace,
Beije-nos e nos abrace;
Aproveito o gancho e abuso da deixa, 
E do remelexo não me queixo:
Quero mais do Brasil, já é de praxe,
Quero um um, um dez, um cem 
– quero um mil e nada mais, nada mau.
E num pisco eu pesco o Carioquês
E canto o karaokê – já vai dar peixe:
“Rio 40 graus”.

Ver de verde e o azul de mar 
E o amar de amarelo e o branco da paz:
E o que apraz? 
– nas praças ver crianças sorrindo;
E o que é estrela? 
– o sol raia na beleza de uma praia (Arpoador);
E o que se almeja? 
– ver comida nas mesas – e à beça, e abusa.
Cristo – nosso senhor – redentor.

É redundante, mas não cansa:
Quero a paz indo à praia de biquíni fio dental;
Assim eu rio, é o rio, assim nós rimos,                                
Reinamos e rimamos:
É amor, é todo amor.

30 de junho de 2015

Hoje tem manga

MONSTER SWELLYou're about to see the moment a professional surfer wiped out and broke his leg on one of the biggest waves ever ridden in WA.Justin Holland travelled to Gracetown for the weekend's monster swell, now he's recovering in hospital. Vision thanks to www.mysurf.tv.
Posted by 9 News Perth on Segunda, 29 de junho de 2015


Não é somente um homem que existe, pois acorda todos os dias com um fantasma gigante para enfrentar e vencer, jamais deixando que o desmotivem, que tentem minimizar suas conquistas; chega ao final do dia com o dever diário cumprido e a sensação de verdadeiramente estar vivo.

O mar me ganha assim: de jeito, de repente, de encanto; e mesmo eu envelhecendo e aos poucos ficando mais longe, o amor, o respeito só aumentam. 
É o mesmo que acontece em relação à vida.
O lado bom da vida é fazer o que gosta! Não pingar colírio em olhos alheios; viver pra ser invejado é tiro no pé... É egoísmo com a própria alegria, é fazer com a falsidade parceria, é ser Zé ruela, Zé Mané.

Papo reto: viver não é o bastante, queremos por perto os afetos: (sexo, chocolate, diamante)... mesmo que por um instante, só para querermos de novo.

Hoje tem manga; pés descalços para encarar a subida... alegria do doce na boca, o melado no rosto e a brusca sensação de ser moleque; hoje tem manga, ontem teve manga e amanhã é mistério.

Ótimo final de tarde



Acabei de deixar qualquer militância que envolva a política; estou tirando meu time de campo, jogando a toalha, batendo no chão! Gullar tinha absoluta razão: “Não quero ter razão, quero ser feliz”.

Politicagem 2010 (do livro “Poeteideser”)
(Música originalmente escrita em 2004)

Se liga que vou te contar agora
Como acontece essa triste história:
O lado mais pobre um trabalho árduo
E o outro lado representa a escória.

Uns morrem de fome numa fila,
Outros compram porcelana;
Uns se perdem da família,
Outros brigam por herança.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente – está sem dente – está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá...
Até onde essa zona vai parar.

Pra tudo ele tem resposta
Sempre uma proposta
Sem jeito, indecorosa.

Sobe em um palanque:
- um terno, uma gravata,
Com um sorriso
Preparando a mamata.

Estende as mãos
Estende os braços
Desfaz-se em pedaços
Tudo vai resolver.

O mundo ficar quadrado
O inferno, congelado
É só ele prometer.

Já sabem de quem eu falo?
Mas é melhor, eu me calo
Se não, vão me prender.

Vou indo sem rumo sem graça
Andando por toda praça
Até desaparecer.

Viver com dividas não é vantagem
Você é quem paga essa politicagem.

É vereador, deputado, senador ou presidente.
E o povo está doente – está sem dente – está demente.

Politicagem os babacas e as bobagens.
Cara de pau, ipê, jacarandá.
Até onde essa zona vai parar.

Num pais que reina a violência,
O governo uma indecência;
Discursos sem coerência
Sem jeito nem vontade de mudar.

Vai chegando à época
Aparece a solução
Para fome, os buracos, o transito...
É eleição!

- Aumento de salário, 
- Acabar com as filas
- Escolas para as crianças...
É ilusão para as famílias.

Invadem os rádios, os postes e a tv,
Depois o sujo (o porco) é você.

Enganam o povo, falam mentira,
Estão loucos pra mudar lá pra Brasília.

Mas essa história não termina aqui,
Sem um emprego virando faquir.
Faça uma greve, vá para as ruas,
Saia da lama...
A escolha é sua.

E assim levamos a vida,
Abrindo e fechando a ferida,
Lutando pra isso acabar...

Durmo assustado também,
Rezando esperando alguém,
Pra tudo melhorar, amém. 

Seu chão

O futuro do Brasil é CONTRA a ReduçãoHoje, 30 de Junho, vai acontecer a votação da proposta que reduz a maioridade penal para 16 anos no Brasil. E tem uma galera lá no Congresso lutando pelo o futuro da nação, frente a frente com os parlamentares para dizer a eles que o caminho é outro: educação, cultura, esporte, oportunidades e direitos para a juventude. Essa galera tá acampada no Congresso, lutando através de atos, intervenções, shows, entrevistas com parlamentares e movimentos, com transmissão ao vivo 24h. Link da transmissão: www.postv.orgVídeo: Amanhecer Contra a Redução-----------------------------------------------Se você não pode ir até lá, pode ajudar conversando com seus amigos e familiares, apresentando argumentos - e a página do Amanhecer está cheio deles - que deixam mais do que claro que a Redução não vai resolver o problema da violência no nosso país, assim como não revolveu em nenhum dos países que reduziram.#VouBarrarARedução #VotoContra171 #ReduçãoNãoÉSolução
Posted by Warley Alves on Terça, 30 de junho de 2015


Não mais tema,
Pois ainda há tempo:
- Destampe o tempero e derrame-o de jeito no intento. 
Agora é a hora:
- Abra os braços, 
Lance os laços 
dos mais tenros e ternos abraços.

Seu chão
(André Anlub - 1/1/13)

Pele morena e queimada de sol
Salgada de mar – dourada de paixão.
Marquinhas brancas em lugares capciosos
Apetecem meu doce paladar.

Cabelo em ondas e o sorriso largo
Perder-me, me encontrar e desfrutar...
Desvendar é vago.

Vou com seus passos e na sua lida,
Vida de beijos e calenturas.
No seu mundo de flores e sonhos
Vejo inenarráveis loucuras.

(p) reparo seu banho,
Aqueço seu corpo,
(a) prendo seu prazer.

E, enfim, desbravo a região...
Sou anão, sou colosso
Errante – jovem – ancião...

Sou amor e pecador
Me perco – me acho
Capacho – seu norte
Sou seu chão.

manhã de 30 de junho de 2015


“Pesque e pague” – pesque um Deus e pague seus pecados conforme forem surgindo.
(manhã de 30 de junho de 2015)

Acho engraçado, quase alucinador, quando alguém diz que tem a cabeça feita; o cara está com sua ideologia formada, seus objetivos traçados, seus focos enfocados, e tudo isso – aquilo –, todo o resto é imutável. E se o sujeito se apaixonar, por exemplo? Quando digo paixão não é necessariamente por outra pessoa. Muitas vezes surge algo que o embriaga e torna sua vida com mais sentido. E se sua paixão “engasgar” nas suas projeções pré-estabelecidas para o seu presente e futuro? É... ai complica! Enfim, ele abrirá mão do amor, da felicidade, para se tornar um egoísta mesquinho, um chauvinista anacrônico; ou, na verdade, sempre foi e não quer mudança justamente para não se mostrar contraditório. É, como diriam os amigos mais velhos: é o fim da picada. Onde entram os deuses e demônios nessa jogada é simples: impõe-se um domínio, um princípio religioso qualquer, não pela indução da energia positiva na mente (meu caso), mas sim por uma necessidade social, pelo sistema que o cerca e pela vaidade de se mostrar uma pessoa de bem (muitas vezes nada faz (gratuitamente) para ninguém). Deuses e demônios habitam em nós mesmos; o homem os exterioriza pela necessidade inútil da transferência de culpa e a obrigação de se mostrar modesto usando o próprio mérito.

André Anlub

No final de tudo

DEPOIS QUE O CAOS ACONTECER, adianta fazer?Politica aje assim. Ciencia PREVINE!
Posted by Ione Zukauskas on Sábado, 13 de junho de 2015


Engatinho na escrita e na arte, feito criança sapeca, levada; vou de encontro ao bolo ou a bola, entro de sola; mergulho no sonho totalmente cego e sem ego, sem pretensão de ser nada.

Lá no final de tudo, onde o grito é mudo, quem sobrevive é o talento.

Deuses e demônios habitam em nós mesmos; o homem os exterioriza pela necessidade inútil da transferência de culpa e a obrigação de se mostrar modesto usando o próprio mérito. 

Um ser imbatível
(André Anlub - 14/10/13)

Avise-me quando tiver um tempo,
Caso eu não esteja, por favor, deixe recado.
Passo por maus bocados sem a menor notícia sua,
Vivo um grande tormento olhando os velhos retratos.
Para o meu conforto tenho seus poemas tatuados,
Às vezes os leio a esmo para desmanchar possível mácula; vejo uma fábula que outrora romance barato, erguer-se das cinzas, renascer do cálido aborto.
Agora vago tão-só, sem rumo, em nuas noites sem lua, em garrafas de gargalo torto - vivo com a vida nas mãos
cambaleando na esperança do zero multiplicado por doze e na dose dos passos brandos, gasto meu quinhão.
É, sou impostor vivente, fantasioso e sensível,
Mas é vantajoso passar o inverno nessa novela.
Pinto com aquarela a imagem de um deus no céu,
Escrevo no papel minha quimera de um ser imbatível.