Voo entre terra e céu, sonho q crio na escrita Lua q derrama no papel, Sol q desbanca na tinta

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25 de junho de 2016

LXXXV


LXXXV
(André Anlub e Rogério Camargo)

Aquele corpo delineado – no sol suado – contornos per-feitos que ainda carrega no íntimo uma imensa inteligência,
Tomara, Deus queira, queira Deus não seja apenas ima-ginação de quem o deseja.
Com o psicológico inalterável e a certeza de vestir-se mulher maravilha, vive de bem com a vida e os olhares discre-tos alheios são apenas olhos bem-vindos.
Com os olhares indiscretos faz uma sopa e dá aos po-bres.
Aquele corpo delineado foi envelhecendo, perdendo as linhas certas, retas, mas ganhando ainda mais brilho.
A indiscrição dos olhares talvez não perceba. Não im-porta. A dona do corpo não se importa. Nunca foi catequista, e todas as suas conquistas deram-se pelo completo, irretocável, delineado e nada velho e acabado intelecto.
Quem a levou para a cama reclama créditos. Ela sim-plesmente desconsidera e espera que desconsiderar seja sufici-ente.
Quem a levou ao nirvana de nada reclama, pois sendo experiente procurou além da cama, a companheira, a respeitosa faceira que faz sexo interna e externamente.
Sexo complexo para quem não percebe, sexo reflexo para quem atravessa as espessas camadas da bruma e só vê o sol.

24 de junho de 2016


De coração
(André Anlub - 2/10/12)

Esperança na cabeceira de papel e madeira
E afeição que germinou logo no plantio.

Na delicadeza do poema da oficina da vida:
Expõe o ontem
O hoje
O amanhã
O eterno.

Pelas artérias corre solto o coração cativo,
Expondo a perspectiva que cintilou a cena.

Beleza do afago que afogou o amargo...
Traga um trago de ideias,
Pois amo esse fardo.

Laço de aço no mútuo,
Fruta fresca na feira.

Prezo os amigos que ficaram ao meu lado em tempos idos de épocas negras;
Quando fiquei doente (pesado fardo)
Falando línguas estranhas, abraçado aos capetas.

22 de junho de 2016

Coração de um ser otimista


Coração de um ser otimista
(André Anlub - 23/2/11)

No lume de caminhos claros,
Em ruas bem calmas,
Ao som de pianos clássicos,
Sigo com passos certeiros.

Vejo roseiras em alfobres,
Perfumando o nariz distraído,
Adornando em insano colorido,
O preto e branco da tempestade.

E na fotografia da mente
Que, enfim, a memória revela,
Com efeitos da primavera
Vejo a janela da realidade.

Risquei do foco a tristeza,
Fiz macro nos suntuosos detalhes;
Acolhendo os desprovidos na sina,
Regando o tempo na filantropia.

De cada gesto altruísta
Eclode nova majestosa flor,
Embelezando o jardim escondido
No coração de um ser otimista.

Flor de lis, de lírio e lírico


Flor de lis, de lírio e lírico
(André Anlub - 6/1/13)

Chegando do silêncio veio como tempestade
E mordia suas ideias.
Tirava os laços dos futuros presentes,
Mostrava o onipresente,
Que ao botar pra fora os dentes,
Provava não ser um Oni enfim:

Nomeada como imperatriz de amores,
Que ganha de súbito
Sua coroa, trono e sonho,
Se aproximando do súdito
Com suas suntuosas flores.

Ouço você falar em público:
- o que seria mais certo - onde estaria o erro - qual a importância disso

A resposta vem com o ar fecundo,
Quebrando o coeso silencio,
Queimando mil brancos lenços,
Prevendo o fim dos futuros lamentos.

A resposta bateu de frente,
Com seu cheiro de alfazema,
Com seu humor de hiena
E interpretação eloquente.

Na tela do cinema da esquina
Já se viu esse filme antigo
De um multicor lírico
Com tons de pura boemia.
Sim, é poesia! Faz crescer as flores
E nasce nas flores crescidas.

A ignorância só não agride e quase mata, 
Quando a mão fica inerte e a boca calada.

Abrigo-me com humildade num ninho,
Aprendo a voar como águia, correr como água
E seguir o meu guia.

Pérfido imaginário



Pérfido imaginário
(André Anlub - 1/1/12)

Distraído com fotos espalhadas pela cama
A saudade está mais perto.
Chega e me cerca, aperta e acerta o que já seria certo no cerne...
(Querer você)

Eu saberia como agir em outras épocas,
Mesmo que falte o mesmo entusiasmo.
Seria simplesmente uma aventura,
Ainda não estava atrás da mais perfeita escultura.

Pensando bem, criarei a própria artista,
Vendo outra dela em vagos corpos.
Lógico que deixarei isso em mistério,
Disfarçarei com toda minha fúria.

No íntimo considero um adultério
Ver o sorriso dela em outras bocas,
Sentir seu cheiro em todas as roupas,
Mas pagarei para ter essa luxúria.

Voam versos de afeto tão cálidos no conforto,
No forno do sentimento;
Voam tão meigos ou salsos,
Verdadeiros ou falsos;
Voam se for de gosto
Ou até desgosto
(assim querendo).

Deleito-me nesse teu jeito tenro quase sofrido;
Que me completas e que me interpretas em poliglotas sensações...
Mostro com sinceridade de emoções que tu és simplesmente minha vida.

Às vezes queremos tanto
Pertencer a tal coisa,
Estar dentro de certo universo,
Que não percebemos que a porta abre para fora (teimamos em empurrá-la)
Quando bastava apenas recuar um pouco
Para a porta se abrir...
Facilmente.


Não me enfastio quando falo de amor
(André Anlub - 12/9/12)

Dizem que de nada vale uma luta 
Se não for por amor.
Mesmo que não seja
De um modo direto e/ou visível.

Por sobre barreiras,
Andando por cima das águas,
Atravessando penhascos
E aguentando o calor.

Elogiando e rasgando seda para o verdadeiro amor:

- intrínseco e salutar - precioso e impagável
O verdadeiro é quase sempre eterno.
Encontrado em variadas esferas,
Quando dividido é insuperável.

Andando na fina camada de gelo do lago congelado:

- é frágil, isso é incontestável!
Cristal fino – bebida rara em fina taça
É mágico, enfático, abracadabra!
Cada respirar – cada passo.

Lutando contra o tempo da saudade e da distância:

Se um segundo é piscar dos olhos,
Sozinho é uma eternidade.

Aperta o peito e cai uma lágrima.
Amor é aquém e além da realidade.

Tenho os pés muito estáveis
No chão... 
Mas minha cabeça excedeu há tempos
O mundo da lua.

O amor é intrínseco
No ser mais brioso.
Meticuloso com a mais esplendida jornada.
Eleva as nuvens, voando baixo, o ser vistoso; 
sempre o amparo da sensação resignada.

Brotaram no desabrochar dos lindos campos, 
Suas essências... 
Deixadas como folhas em vendavais;
Voando, vagando, sem destino; 
Por entre pensamentos, 
como mãos que tocam almas 
fazendo de harpas sons siderais.

21 de junho de 2016

Parte VI (continuação)



Parte VI (continuação)
(19/3/12)                      

Constante Ramos – Copacabana
No bar da esquina tudo a contento
Ampola gelada e aperitivo
E eu já estava tocando minha gaita...

Mas a paz se quebrou naquele exato momento:

Barulho forte de freio e colisão,
O som vinha da praia
E ecoava em agonia.

Levantei – estiquei o pescoço
Vi o carro em contramão,
Estava pegando fogo
E ainda em movimento.

Corremos para prestar alguma possível assistência,
Não havia mais carros envolvidos no acidente.

Juntaram os curiosos – os transeuntes;
Fumaça demais
E o carro queimava na minha frente.

Fui ao quiosque da praia
Peguei um extintor de incêndio,
Havia uma pessoa dentro do carro...
Nas chamas – no volante.

Ao mesmo tempo em que ligavam...
Ambulância – bombeiro.

Aquela cena de fumaça e fogo era chocante.

Mesmo sem poder vê-la
Falava para a pessoa no carro ter calma,
Corri para bem perto usando o extintor
E me sentindo um herói.

Quando extingui o fogo pensei
Que tivesse acabado o tormento,
Mas o ego inflado demais às vezes dói.

Não era uma pessoa,
Era apenas o encosto do assento.
O motorista havia saído muito antes
(pulou do carro andando)

Meu ato heroico havia se tornado amargura,
De mocinho virou louco
(vida nua e crua).


20 de junho de 2016

Caixa preta


Caixa preta
(André Anlub - 9/9/13)

Saboreio cada gesto como se fosse o último,
Tento adivinhar o manifesto do seu pensamento
Como se fosse o primeiro, como se fosse justo.
Nada é em vão.

A sua corrente quente me ajuda a nadar,
Fico mais confortável e feliz.
Aquela força resistente me diz:
Atravesse o oceano e me beija.

Pelejas amigas, cantigas antigas,
Caem bem, são bem recebidas.
Paixões passadas, cicatrizes fechadas,
Caem bem, na caixa preta trancada.

Pela manhã molho o rosto e constato minha sorte,
Perdi há tempos a necessidade de encenar.
A barba branca, o cabelo ralo
E da vivência o aguçado faro
- o voo mais acertado.

Limpo a poeira da caixa,
Às vezes passo um verniz,
Mas não abro.

O nosso presente já é tudo que me chega,
Me cega e me cerca, fazendo coerente o amor.
Já não acolho vozes externas, demagogias,
Orgias de picuinhas, não mais...
Enfim você chegou!
Está ardendo àquela prometida fogueira,
Com panos - papéis inúteis,
Quilos de baboseiras...
E a velha caixa queimou.

Os pés estão frios, a mente está inteira...
Dispenso a meia e aqueço as ideias.

[sem título]

O homem e sua mania de deslegitimar e invalidar as causas e lutas dos outros; chega a tal ponto que se um grupo se unir e fizer uma manifestação em prol do direito de perder tempo, surgirão pessoas perdendo seu tempo indo contra.

19 de junho de 2016

[sem título]


Tudo e mais alguma coisa

Se sabia o sentido da vida, pegou o caminho contrário... Só para se divertir.
(Manhã de 16 de junho de 2015)

Ele pode discorrer à vontade; na verdade, até o sol raiar... Caso queira! Ele pode ver o resultado de todos os meus pensamentos, até os que ainda não tive. Pode fazer julgamentos e entreter-se comigo, correr na minha frente nas minhas corridas triviais, chorar ou rir das minhas palavras banais, e nos anais da minha assistência, onde reside minha paciência... me persuadir. Ele pode mas não faz; está cá e lá, foi a Noronha e nem me chamou. Safado! Contou-me da onda batendo no rosto e no corpo, da água gelada, da mulher de topless e o tempo mais que maravilhoso. Fiquei com inveja, confesso. Fiquei com remorso de pela manhã não ter aberto a gaiola da mente e deixado, pelo menos, ela ir com ele. Assim me sinto inaudível, quase que aquela famosa gota no oceano; mesmo assim tenho voz – pouca – mesmo que seja um murmúrio... Pois tenho a mania de ter o sestro de ter o hábito – moda – rotina de ter a impressão de que conhecê-lo foi minha epifania. Vai ver foi... Vai ouvir foi... Vai cheirar foi... Vai tocar foi e é. Já vejo as horas e as nuvens passando, e meu argumento sobre ele, outrora colosso, agora vai se esvaindo em fumaça inofensiva e inocente, misturando-se as nuvens e ao tempo, como um breve sonho ou a suave, turva e inexata visão de um ébrio no pico do efeito. Vá e vai logo, quero voltar ao meu bloco de anotações sem sua presença. Ele me intoxica, travando minha escrita e viciando-a no seu próprio ser. É como um andar em círculos; é como uma rua sem saída que até tem saída, mas é nela mesma; é como arremessar o horizonte ao seu espaço e tentar aparar suas arestas; é como uma festa sem sonho, lago sem margem, um banho sem água e a arte sem sua libertinagem. Puxei fundo o ar que cheguei a sentir cheiro de mar, e agora com força e imaginação pego o beco... Quem sabe há alguém para ler-me um poema; quem sabe essa rua vai dar em algum lugar. Caso não dê, caso nem chegue a lugar algum, nem chova ou faça sol, valeu o passeio; pois lá no final sei que ele sempre me espera. 

André Anlub

Parabéns, Chico... 72 anos de talento e história


Matéria no El País: AQUI!

18 de junho de 2016

[noite longa]


Feito com palito de sorvete em 1990 na Rua Maestro Francisco Braga (Copacabana/RJ) - até hoje lá! 

Tudo branco em paz se apraz o branco do Apraz. 
(Madrugada de 7 de julho de 2015)

Escrever não é terapia, não é parto, não te faz farto tampouco filho. Escrever não é domínio nem domingo, não é sábado nem babado, nem modismo, erotismo macho bosta ou “veado”. Escrever não é descoberta, nem procura, não é ouro, prata ou cobre, não está vestida ou desnuda, não é rua nem avenida, nem voo ou aterrissagem, não é quarto fechado, alcova, escova, pasta, dente, boca, boca desdentada ou a de fumo, ou paisagem, ou passagem ou presumo, não é nada nem tudo, nem pluma, plano, pleito, pleno ou peito pontudo... não é cura ou Kurosawa, nem rei nem vagabundo, o sobretudo lá em Londres, nem o submundo da saudade na saúde; escrever não é fuga nem afago, nem figo nem quiabo, nem o fio desfiado, violino desafinado no ombro desajeitado do corcunda compositor; não traz solução para o problema, nem traz problema ou pessimista, não tem esquema, bula, equação, estratagema; não é longe nem perto, nem aqui, kiwi ou banana; não tem raça, cor e credo, nem cruz credo que ameaça; não trapaça ou joga limpo, não está no limbo, céu ou inferno. Aos olhos postos no céu azul, sem nuvem, podemos ler o verso... nenhum verso estava ali, fizemos/falamos/escrevemos/sentimos para dor ou prazer em nós. Tudo é para si – nem sílaba que entre, nem poemas que saia – tão somente si. De resto fica a impressão da opção de parar ou andar ou correr ao redor do mundo, mesmo sabendo que poderá acabar no mesmo lugar. 

André Anlub