Sigam-me os bons

24/07/2014

Mar de doutrina sem fim


Mar de doutrina sem fim

Houve aquele longo eco daquele verso forte desafiador;
Pegou carona na onda suntuosa de todo mar agitado:
- fui peixe insano com dentes grandes e olhar de bardo;
Fui garoto, fui garoupa, fui a roupa do rei de Roma...
E vou-me novamente mesmo agora não sendo.

Construo meus barcos no sumo da imaginação:
(minhas naves, pés e rolimãs),
E como imãs com polos iguais, passo batido... 
Por ilhas virgens – praias nobres – boa brisa;
Quero ancorar nas ilhas Gregas, praias dos nudistas e ventos de ação.

Lá vem novamente as velhas orações dos poetas,
A tinta azul no papel árduo
E vozes roucas das bocas largas,
Mas prolixas: mês de maio, mais profetas.

E houve e não há, o que foi não se repete;
Indiferente das rimas de amor – vem outro repente...

O mar calmo oferece amparo:
- sou Netuno e esqueci o tridente,
Trouxe um riso com trinta e dois dentes;
Sou mistério que mora no quadrado de toda janela,
O beijo dele, dela, da alma ardente que faz o mar raro.

Gosto de terrenos inóspitos,
Provocar meus limites,
Não quero conselhos
Odeio palpites.

                                              André Anlub

22/07/2014

Essa nem em sonho eu poderia imaginar

"O Poeta Dhiogo José Caetano recebeu a resposta pelo envio de um exemplar do Projeto Poesias Encantadas à Rainha Elizabeth II da Inglaterra.
Todos os dias, a rainha da Inglaterra recebe centenas de cartas no Palácio de Buckingham. Como Elizabeth II tem muitos compromissos oficiais, ela só lê uma pequena seleção dessas cartas. São as damas de companhia da rainha, chamadas de "ladies in waiting" em inglês, que leem tudo e respondem - uma por uma. Nada fica sem resposta. E não há texto genérico, padrão, tudo é individualizado, como na carta que foi enviada para o Poeta Dhiogo.
A carta diz:"

"Caro Sr. Caetano
A rainha pediu-me para lhe agradecer por enviar-lhe um exemplar do livro O Melhor de Poesias Encantadas como um presente.
Sua reflexão é apreciada e eu envio os meus votos de felicidades para você.
Atenciosamente.
Sra. Sonia Bonici 
Correspondente Oficial sênior"


18/07/2014

À REVELIA

Palavras prendem sonhos no papel
feito um ajuntador de borboletas.
A tela em branco encontra no pincel
iguais porções de paz e de vendetta.

Não sei de abelha que rejeite o mel
e oboé só conheço com palheta.
Os mesmos órgãos que fabricam fel
têm outros predicados na etiqueta.

A cada um a cruz do seu destino,
nem mais, nem menos, sem ponderações
que tentem diminuir o desconforto.

Nenhuma dor é só um desatino
obrado à revelia das razões
que um barco possa ter pra estar no porto.

(Rogério Camargo)

14/07/2014

RETIRADAS

Palavras dadas, retiradas, nulas,
palavras que não valem mais, morreram
em nome do que em próprio nome açula
o que as palavras só reconheceram.

Tão mortas como a vida que se anula,
já tudo o que, bonitas, descreveram,
foi devorado por um’outra gula,
a de ressuscitar o que viveram.

Não é possível mais reconstituir.
Se não existe, não vai existir
por culpas ou por arrependimentos.

Volta pro vácuo de onde um dia veio
a sensação do triste, pobre e feio
que está na traição de um juramento.

(Rogério Camargo)