19 de abril de 2015

Tribos urbanas (Dia do Índio)


Tribos urbanas 
(André Anlub - 16/11/14)

O precipício perdeu boa parte do seu encanto,
deixando fraco canto e a sensação de não ser mais original; as estrelas tornaram-se muito mais convidativas e o amor na ativa, com sua calentura e seu interminável brilho, astuciosamente esculpe o seu brio:
Antônio Francisco Lisboa – atemporal.

Vem à luz amistosa, a luz da lua cheia, faceira,
que parece acariciar o vento; caminha pelas ruas de pedras através das sombras dos postes, dos bêbados e árvores, dobra as esquinas e passa de janela em janela, de porta em porta; passa pelas casas antigas, casas recentes e silentes, casas de Ouro Preto.

Por longas datas as bocas gritaram, cantaram e se tocaram em desejos; corações se uniram e se iluminaram em suas vielas; as bocas deles e delas perpetuaram e protegeram todo o, e o de sempre, luar.

O lugar e o legado, agora foram contidos pelo silêncio.
Só por um instante: - um minuto de tributo! Assim como ocas ocas, sem seus índios que saíram para caçar e voltaram com a caça, com a raça e o ensejo para o ditoso festejo.

"Após Ministério da Cultura ameaçar processo, Facebook republica foto censurada
Fotografia de índia com seios expostos foi retirada da rede social

 
  Foto: Walter Garbe / Reprodução

O Facebook anunciou na noite desta sexta-feira que voltou atrás e desbloqueou a foto de uma índia com seios expostos que havia sido publicada no perfil do Ministério da Cultura (Minc). 

"Não é fácil encontrar o equilíbrio ideal entre permitir que as pessoas se expressem criativamente e manter uma experiência confortável para a nossa comunidade global e culturalmente diversa", disse em nota a assessoria de imprensa da rede social. 

O Minc havia dito que iria entrar com ação na Justiça contra o bloqueio da foto do casal de índios botocudos e levar o assunto a cortes internacionais. O ministro da Cultura, Juca Ferreira, disse que a "censura" foi um desrespeito à legislação brasileira, inclusive à Constituição Federal.

A foto de 1909, feita por Walter Garbe, foi colocada na página do Minc no Facebook na última quarta-feira, por volta das 15h, em notícia sobre o lançamento do Portal Brasiliana Fotográfica. Horas depois, a rede social a retirou do ar alegando que ia contra políticas internas."

Segundo o ministério, ao tomar conhecimento do bloqueio da fotografia na manhã da última quinta-feira, o MinC entrou em contato com o Facebook, alertando para a ilegalidade e solicitando o imediato desbloqueio da fotografia. No entanto, a empresa manteve a decisão de censurá-la, argumentando, segundo a pasta, que não está submetida à legislação nacional e que tem regras próprias que adota globalmente.

Segundo a nota, a rede social respeita as leis locais, mas tem limitações com nudez. "Estamos sempre abertos ao feedback e ao debate para melhorar nossos padrões da comunidade", disse a nota."

* Zero Hora

Foto censurada pelo Facebook volta a ser incluída na página do MinC - Depois de o ministro da Cultura, Juca Ferreira,...
Posted by Ministério da Cultura on Sexta, 17 de abril de 2015




Princípio e fim 
(André Anlub - 2/2/15)

Percebem-se as letras ao vento, fermento dos versos no intento;
Na mescla que move à fantasia – lamúria e luxúria dos dias.
Diga-se de passagem: a paisagem pairou na barriga dele (grávido),
Pariu na paragem mais certa e reta – cerne que outrora tardava.

Faz-se poesia – fez-se cria – faz-se o poeta (ávido),
Criou-se a meta na metalinguagem em espectros.
Assombrando os muitos herméticos heréticos espertos
E espetando os pedantes pedintes descalços moleques.

Ao céu o seu mais lindo e redondo sol brilhante (enérgico),
Diamante dos dotes de deuses de doutrinas de histórias;
Ao léu as asas cresceram, veio no veio inspiração e sorrisos,
Ao velho ao novo ao menino – porta de início de índio de íngreme.

Prepara-se o leito quente – seio da mãe – leite materno,
Cobiçando o menino vadio, forte e inteligente (frenético),
As letras são o “norte”, coreógrafas convidando ao passeio (imagético),
Sem freio, meio – principio – confins sem fim.
                                  
Não nasci cá, nem acolá, 
nem além ou aquém; 
sou melhor e pior que ninguém. 
Vivo o amor e a arte, assim sou do mundo, 
quiçá limpo ou imundo... 
Mas de nenhuma parte. 

18 de abril de 2015

Noite de 18/4/15



Noite de 18/4/15

Na sombra dos medos nasceu o pé de luz.
E esse pé cresceu – se ergueu, ficou forte – criou porte, deu frutos, assim.
Amadureceu a chave do mundo – a chave de tudo e futuro eternizado: chavão.

Janelas se abrem; se abrem cortinas e vem o beijo do sol e vem penetrando o clarão.
Mistérios nas nuvens, e obtusos e abstrusos e absortos.
Abriram-se dentro de um aberto brilho no imaginativo castelo os portões.

As notícias melhoraram com o céu lavado, o infinito ficou mais perto;
Ouço aquela menina me chamar para um drink no escuro. Ou no inferno, “a la Tarantino”.
Visões de queijos e vinhos – paladares de bocas e intestinos, tudo faz sentido de alguma forma.
Há um gigante ou há um anão entre o rei e o umbigo,
Decididamente isso é de fato uma norma.

Já ouvi a menina dizendo cantando que nada a deprimia... E depois sumia. 
Talvez fosse para outra galáxia ou talvez tocasse violino para inspirar alguém.
Lá vem um inverno rigoroso. Vou colocar um casaco, deitar, ler e tirar um cochilo. 
Na luz da coragem o pé de luz cresce.

André Anlub

E a fila anda

Amazing Harp Performance#harp #music #talent #girls #nex1 #tv
Posted by NEX1 TV on Domingo, 8 de março de 2015


E a fila anda
(André Anlub - 21/5/13)

Há um famoso ritual de ajuntamento,
Como uma nau à deriva em forte vento.
Acalora o frio e inerte coração,
Faz do branco e da verdade o indumento,
Pois tem na alma e no sim a comunhão.

Já é sabido, vez ou outra ela chega,
A paixão que abstraí e deixa aéreo...
E no mistério a implicação de ficar cego,
Os olhos fulgem no clarão do seu interno.

Há também um procedente paradoxo
Que trafega entre o ditoso e o lascivo.
No flerte que transmuta em aversão
E a ternura que se afoga em puro vício.

Não sabe dizer se traição é inerente
Ou se é pisar com cinco dedos no respeito.
E já sem jeito estufa o peito e sorridente
Atrás vem gente, é melhor andar direito.

Dueto da tarde (CXXVII)



Dueto da tarde (CXXVII)

Jornais abertos, livros já lidos, cartas incompletas e o sol nascendo e ferindo. A mesa posta para um só, só um na mesa posta e uma fome muito pouca olha os pratos com desdém.
Os vinténs solitários no cofrinho e o cheirinho de nada que vai além do já sumido.
Uma janela aberta para o muro do vizinho. Para o altíssimo muro do vizinho. Para o interminável muro do vizinho.
No quintal, o cão enterrado junto ao gato parece latir.
A vida inteira dele parecia latir. E rosnar. E correr atrás dos pneus traseiros dos automóveis.
Penso até que ele viveu e ainda vive... Ao contrário de mim.
O contrário de mim sorri tristemente para o contrário dele, depois junta os jornais, tira o pó dos livros, tenta completar as cartas. O sol segue nascendo e ferindo.
Passaram às horas, passaram meus dias, voltei ao começo de tudo já visto.
Empresto ao tédio uma cor que ele não conhece e que talvez lhe faça bem. Empresto à angústia uma música que talvez ela goste de ouvir.
Vou exprimir aos gritos o que o mundo puder ouvir e vou espremer o limão nos meus olhos e sorrir.
Depois talvez use comigo mesmo a cor que emprestei e a música que emprestei.

Rogério Camargo e André Anlub
(18/4/15)

17 de abril de 2015

Eu poesia

"Pra mim, o modelo de família é aquele em que há amor", disse Chicão, filho de Cássia Eller, em entrevista ao programa Lado Bi desta semana. Ouça na íntegra: http://bit.ly/1HxjQco
Posted by UOL on Sexta, 17 de abril de 2015


Eu poesia 
(André Anlub - 1/5/10)

Não seremos prolixos vamos falar de poesia:
Eu, meu Eu lírico e o alterego se exporão.

Poesia no âmago é cega - um lince
Feia – linda; em sua saída
Abraçada na verve leva contigo tato e emoção.

Poesia pode lhe trair
Atrair – extrair; estimular muitos - ou nenhum;
Ser alento, veneno, somar – subtrair;
Levar aos sonhos, ser foice perversa, vertigem,
Seu “metiê”; ócio - dar ordens, ser forte – obedecer.

Em poemas libertinos
Que quase sempre em linhas tortas,
Ficariam mortos, desatinos, mas comovem plateias
E alcançam destinos.

No arcano que é a poesia, 
Fazemos uma idolatria doentia.

Poesia pode ser menina traidora, menina mentirosa.
Mesmo que na ferida exposta da fossa
Batemos palmas - damos guarida
Damos espaço - nossas almas.

Dueto da tarde (CXXVI)

A #CG mergulhou em um dos rios do maior complexo de águas termais do planeta, em Rio Quente / Goiás. O Lugar é realmente...
Posted by Climatologia Geográfica on Terça, 17 de fevereiro de 2015


Dueto da tarde (CXXVI)

Estarei contigo por todo o quase sempre que me sentires contigo.
Em idolatria és tudo em única: aconchego, caminho, mar, luz, céu, apego e ar.
No ar que respiro a marca dos teus pulmões renovando o que eu não saberia renovar sozinho.
Nos papéis deixo letras – contornos de teu corpo, teus menos, teus mais; explodo-me quando não te tenho em sonhos, o que no acordado sempre estás.
Meus passos confirmam um caminho já aberto e não fui eu que abri. Minhas asas ganham um céu que não aprendi a voar sozinho.
Nas entranhas o estranho sangue corre como um rio em desatino, sem rumo certo, sem cheiro certo, sem leito e sem fim.
O rumo traçado por um aroma sutil que se perde/encontra em outros aromas sutis, que se faz/refaz no meu entregue nariz; transmutando em alquimias de orquídeas com rosas, como um escândalo do sândalo ao jasmim.
Flutuo nestas ondas imperceptíveis como a sombra da sombra, como o eco do eco ou como o reflexo do reflexo.
Compactuo com esta vida feito um escravo delirante; feito um poeta errante, beberrão e desconexo.
Minha embriaguez é de vida: devida a ti e ao que me dás quanto me tiras de onde me coloco – mal.
Tenho a sensação de morte súbita quando vens abrupta dizer-me no escuro que já caiu o mundo e a separação é fatal
E venho à tona como um golfinho malabarista quando teu riso desmancha a faca enterrada em meu peito, dizendo confessadamente, sem choro nem vela, à vista e sem receio: nada havia acontecido, vivido ou morrido, pois eu estaria em um sonho e finalmente contigo.
Exatamente como estarei contigo por todo o quase sempre que me sentires contigo.

Rogério Camargo e André Anlub
(17/4/15)

Corsário sem rum(o)



Corsário sem rum(o) 
(André Anlub - 3/5/12)

No seu sorriso mais doce
Dá-me o sonhar acordado,
Nau agridoce ancorada
No porto seguro de um réu.

O cerne mais íntimo partilhado
Como alado cavalo ao vento,
Coice pra longe o tormento,
Traz na crina o loiro do mel.

Mil flores a pulsar na razão,
Vil dor e jamais compunção,
Cem cores permeiam na libido,
Sem rumo nem rum no tonel.

Pirata na dádiva do amor,
Com a bússola do autêntico anseio,
Nem proa, nem popa, nem meio,
Voando em direção ao seu céu.

16 de abril de 2015

Santos de madeira

Câmera escondida revela abuso contra empregados em fabricante da Apple na China
Posted by BBC Brasil on Sexta, 19 de dezembro de 2014


Santos de madeira
(André Anlub - 25/12/11)

Pés descalços pisam nas britas,
Que parecem pequenas brasas.

Colher de boia fria na marmita,
Colher de pedreiro nas mãos,
Ensaiando seu karatê. 
(aiá!)

Cheirando cimento,
Colando o pulmão.

O sol fulgente e quente 
Cortando de um lado ao outro
O céu mais limpo.

Rito habitual,
Frito obituário.

Às vezes pisca para a esperança
E o sol ri da sua cara.

E ele, cá embaixo,
Suando em bicas,
Pensa que há uma missão a ser feita.
(e há!)

Nas horas vagas é escultor,
Faz santos de madeira.

Com a ponteira acerta os pontos,
Com o cinzel talha o formato
E a plaina aplana a vida.

(...) E o verniz como o brilho nos olhos
Da lágrima que se mescla ao suor.

Mar de doutrina sem fim

Just debuted at Star Wars Celebration: a suspenseful new teaser for #TheForceAwakens.
Posted by Star Wars on Quinta, 16 de abril de 2015


Mar de doutrina sem fim 
(André Anlub - 12/5/14)

Houve aquele longo eco daquele verso forte desafiador;
Pegou carona na onda suntuosa de todo mar agitado:
- fui peixe insano com dentes grandes e olhar de bardo;
Fui garoto, fui garoupa, fui a roupa do rei de Roma...
E vou-me novamente mesmo agora não sendo.

Construo meus barcos no sumo da imaginação:
(minhas naves, pés e rolimãs),
E como imãs com polos iguais, passo batido... 
Por ilhas virgens – praias nobres – boa brisa;
Quero ancorar nas ilhas Gregas, praias dos nudistas e ventos de ação.

Lá vem novamente as velhas orações dos poetas,
A tinta azul no papel árduo
E vozes roucas das bocas largas,
Mas prolixas: mês de maio, mais profetas.

E houve e não há, o que foi não se repete;
Indiferente das rimas de amor – vem outro repente...

O mar calmo oferece amparo:
- sou Netuno e esqueci o tridente,
Trouxe um riso com trinta e dois dentes;
Sou mistério que mora no quadrado de toda janela,
O beijo dele, dela, da alma ardente que faz o mar raro.

Dueto da tarde (CXXV)

MONTE EVERST X GEOLOGIA - Saiba como foi formada a cordilheira do Himalaia e o MONTE EVEREST
Posted by Indiretas da Geografia on Quinta, 16 de abril de 2015


Dueto da tarde (CXXV)

Em uma imersão no azul o Anu faz graça de graça aos olhos nus.
Nudez cheia de encanto que, por enquanto, vale mais que qualquer moda.
Em algum lugar do país, todos os anos, o Anu come seu angu com anis.
Separa o caroço, sem alvoroço e guarda do almoço para um descansado jantar.
Está na roda essa ave, rondando os engenhos no entorno das pequenas cidades e todo o seu corriqueiro.
Gira com ela o passeio dos olhos atentos, descobridores de pequenos desvãos onde acomodar a curiosidade.
Anu de nós poéticos para todos nós; Anu preto e Anu branco, de cantos melódicos que atraem curiosos patéticos tentando pegá-los. E voam girando...
Imersão no azul: indo buscar o que já tem na alma porém na alma não voa assim. Ou voa, sim, mas não com este fim.
Nas anuências do Anu entram sua breve vida, sua estada simples de labuta ingênua e ímpar: come – dorme – acorda – voa – canta e encanta.
O Anu anuncia em silêncio: a nuvem diz “vem, Anu” e ele vai, a terra diz “fica, Anu” e ele fica.
É um ser metódico, mas pode deixar de ser; é um ser próspero, e sempre será. Há a derradeira biografia alegre nos seus voos e pousos simplórios. Está lá e é só ver.
Dentro do ciclo, o círculo. Fechado é o olho que não abre. Aberto, o olho vê mais que um circo no ciclo, no círculo.
“Boca fechada não entra mosca”, mas olhos fechados não veem a pedra. A pedrada acabou com a festa, enevoou o céu, silenciou a canção e cerrou as asas.
Uma inversão no azul – o Anu fazia graça de graça aos olhos nus. Não faz mais.

Rogério Camargo e André Anlub
(16/4/15)

Pequena grande história de Glorinha



Pequena grande história de Glorinha 
(André Anlub - 26/5/14)

A carne de sol recheada com queijo coalho
A mesa farta de tudo que é local.
Da seca ao céu, do pó ao pó,
Glorinha fez as malas, afinou as falas...

(...) abraços a Caicó.

O ontem ficou refletindo agorinha
Quando a Glorinha arteira chegou pela primeira vez à areia,
Fincou a faca de pão refletindo seu rosto risonho
Realizou seu sonho e desmaterializou todo o mal...

(...) em frente ao mar.

Glorinha de glórias, de prantos e preitos,
Rosto delicado, nariz fino e trejeitos.
Andar leve que faz breve um prever alegre
Desertos de frutas, de nuvem e de sal...

(...) Macau, seu novo lar.

Glorinha rainha, concubina dos livros...
Fixando seus olhos na nova leitura,
O café requentado esfriou novamente,
Fez claro, evidente, o interesse escondido.

Glorinha agora gosta de revista em quadrinhos
Devoradora assídua e sonhadora gritante
Lê, aprende, escreve e ensina
Fez disso sua sina, levou pra sua terra distante.