Voo entre terra e céu, sonho q crio na escrita Lua q derrama no papel, Sol q desbanca na tinta

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Estou no Instagram - tem poesia por lá

30 de setembro de 2016

Vamos ajudar o projeto 'Projeto Pegaí - Leitura grátis' coordenado pelo amigo Idomar Augusto Cerutti

Site do projeto: Pegaí


Matéria: "Professor transforma espaço público em biblioteca em Ponta Grossa, PR" - AQUI

29 de setembro de 2016

Dueto CXLVIII


Dueto CXLVIII (André Anlub e Rogério Camargo)

Era uma lua muito tímida que amava seu sol com pai-xão fervorosa.
Afeição desastrosa, mas real e recíproca que lembra o filme “O feitiço de Áquila”.
Um não pode, o outro não pode e os dois querem. A lua ama o sol na lua. O sol ama a lua no sol. E o céu assiste.
Daqui de baixo é contemplação, aplausos e uma nova fábula; falar nos dois é corriqueiro, mas como disse o poeta: “quais são as palavras que nunca são ditas?”.
Nunca são ditas as palavras que não cabem nas pala-vras. O que não é palavra e as luas dizem que não é palavra dizendo que não é palavra.
Dizer muito falando pouco, ou coisa nenhuma... Eis ai um dilema/teorema antigo que bate de frente com o prolixo e enfrenta no braço o banal.
A timidez da lua, o ardor do sol: tudo a dizer calado, tu-do calando aos berros. E nos enterros os prantos em sutis silên-cios; e nos incêndios as chamas que queimam inquietas.
O céu desce do céu nessas horas e estende as mãos para colher a precariedade. Colhe, aconchega e volta a subir aos céus.
A lua e o sol tomam conta da “casa” enquanto vagalu-mes de pedra passam com a pressa de sempre.
A lua lava roupa no córrego da súplica; o sol arreia o cavalo no celeiro da inquietude. O céu não se mexe mais: já fez a sua parte.
Na coxia o cochicho dos atores, o cenário inédito e a peça são improvisos; as cortinas da manhã se abrem; vai come-çar o espetáculo.
Não se sabe quem vai estar presente para aplaudir, criti-car, ir embora, voltar para a próxima sessão. Lua, sol e céu tam-bém não sabem. Mas é com eles.
Os ingressos foram entregues, mas as portas e janelas ficam abertas; não há reprise – não há cancelamento, e quando alguém não pode mais estar presente é porque já faz parte do elenco.

28 de setembro de 2016

Ótima quarta!

Muito honrado com a surpresa e com o reconhecimento. Agradeço aos amigos da ALUBRA e todos os amigos leitores das redes sociais.



Foto: Jóia Acadêmica de Destaque na Cultura 2016 pela Academia Luminescência Brasileira

27 de setembro de 2016

Dueto CXLIX

Dueto CXLIX

Vejo-te diante das flores e não sei mais quem é quem. E nem importa.
Mesmo que importasse, não importaria. Mesmo que soubesse, não saberia: há sempre algo além do quem é quem.
Este amor teu me faz menino; me nina, me guia e orien-ta o meu olhar à tua formosura e para o que há de formoso no mundo.
Vejo as flores diante de ti e não contenho a onda de ter-nura. Nela surfa meu coração encantado.
Certo que às vezes revivendo o passado crio um presen-te paralelo, um mundo ainda mais belo caso escolhesse por outro caminho. Seria então um egocêntrico ainda mais feliz.
Tu ris disso, às vezes. E às vezes gargalhas disso. Mas agora não. Agora me olhas como se quisesses adivinhar o que adivinho.
Tu choras comigo, quase sempre, para me fazer compa-nhia. Sei que de nenhuma melancolia é composto teu ser.
Eu também choro comigo. Mas é por não ver o que sei estar lá, contigo e com as flores que são tu o tempo todo em meu jardim de angústias.
Quero viver tempos de dança e de bajulo com a vida, pois tu já és banhista, sambista, alquimista que larga a terra e se embrenha no oceano sem engano e sem economia.
Quero e fico querendo. O que é teu é teu e não posso avançar sobre. Pratico o que me permito praticar: praticamente, o reconhecimento da nossa distância.
Percebo-te como uma bela ilha que fito com os olhos, é fato em meus sonhos, mas, pela distância, impossibilita o meu nado.
Não me afogo porque nem tento. Atento para o impulso e tomo pulso de mim: Sei onde estamos quando quero estar onde não posso estar.
És ilha que amo cercada por tudo que amo – céu e mar; fazes da deselegância da minha total entrega o teu porto aos barcos outros, ao barco meu e a quem desejar.
Se isto não é suficiente, nada mais é suficiente. É quan-do a insuficiência senta a meu lado para olhar-te diante das flores e ambos vemos.

25 de setembro de 2016

Dueto CLI


Dueto CLI  (André Anlub e Rogério Camargo)

Os balões estavam cheios, a banda afinadíssima, aperitivos e drinques em dia e os convidados a caminho. Talvez fosse a festa. A intenção era de que fosse a festa. Mas seria a festa?  A pergunta ecoava pelo silêncio e o vazio do salão, onde de antemão a banda havia ensaiado. Uma tensão de expectativa percorria os olhares, crispava as mãos, entesava as costas. E um sorriso tremia nos lábios. A projeção era tamanha que a cabeça foi pouca para tantas suntuosas, perfeitas e interessantes imagens: O perfeito fracasso, a perfeita frustração, o perfeito insucesso, o perfeito fiasco, a perfeita decepção... A insegurança há tempos ultrapassou o pessimismo – saiu em disparada –, fez a curva do desespero e deixou lá trás o talvez que queimou a largada. São noites dentro de dias. Algumas com lua cheia. Outras cheias de luas minguadas. Em quanto isso, a música espera. São dias fora de dias. Alguns com sol sedento. Outros com fome de mingau salgado de sol. E por agora nada de música. Afinados instrumentos que desafinam intenções, que descompassam objetivos. Atentas leituras fora da pauta, diapasão desconexo. Para a alma inteiramente encabulada e o ar que queria o banho da música só resta aceitação; todas as energias junto à doação ficam bem guardadas para a próxima ocasião. Talvez amanhã, talvez ano que vem, ou mesmo agora, que as pessoas começaram a chegar e parecem tão felizes... 

Dueto L


Dueto da tarde (L)

A porta aberta para o quarto vazio deixava olhar mas não deixava ver, 
À meia luz tudo era repentino, tudo era tênue e curioso, de uma curiosidade ansiosa, expectante, que procurava esclarecimentos onde só havia hipóteses. 
Com o passo à frente ouve-se o som de um sino, no esticar das mãos sente-se uma leve chuva.
Já não é mais apenas a porta de um quarto vazio aberta. É a porta de um mundo vazio aberta,
Como uma passagem incerta sem seta indicando direção; um vigente vão vazio cheio de interrogação.
O olhar trêmulo, as mãos fixas, os passos suando, a pele tropeçando, eis o avanço inevitável para quem quer saber,
Entra com ar de orgulho, como um mergulho profundo em parca iluminação, tateia com receio, meio que afasta teias de aranha, sentindo a sensação estranha de não estar sozinho.
Há mais coisas num quarto vazio de porta aberta do que os olhos não enxergam quando não enxergam; há a inspiração voando, a paixão deitada, o ódio debaixo da cama, o tempo descompassado.
E há o também. Incorpóreo também. Sem forma, sem nome, sem CPF, sem RG, sem NET, sem tablet, sem chiclete, também há o também. Com ele vem o além, o aquém, todo o universo e ninguém; naquele passo à frente se sentiu um rei vivo, pois pode ver com clareza seu reinado no presente, largando de vez – de repente, seu passado maldito.

Rogério Camargo e André Anlub (30/1/15)

24 de setembro de 2016

E assim vamos...


Fui criado na cidade grande, mas sempre frequentei os "interiores". Andei muito a cavalo; eu mesmo buscava no pasto, selava, montava e ao retornar dava banho. Ordenhei vacas e até aprendi a fazer queijo; pesquei muito em mar e rio, e como também não sou de ferro me rendi e entreguei-me à vida simples.

Vez ou outra há um milagre só pra tal pessoa; 
Não há registro, palavra, pintura, período, motivo ou à toa; 
Não há contorno ou qualquer som que ecoa.
Os olhares e bocas insanas em agonia
Sequer saberão o que realmente houve, e se houve...
Não importa a vil lamúria

Dos olhos rebeldes da cobiça.

André Anlub

22 de setembro de 2016

O reinado em Pasárgada


A solução do problema pode estar ao se escolher entre pegar uma das infinitas estrelas no céu, ou pegar uma das muitas estrelas do mar.

O reinado em Pasárgada

Tens todo o direito de errar
fracassar, andar para trás.
Tens todo direito de não achar
calar, não ter opinião.
E se o acaso te fizer parar de escrever
não irás dever nem um vintém...
nada, a ninguém.

Mas com o teu dom tens um pacto
a necessidade de expor sentimentos
vomitar teus momentos
teus tons, tuas lágrimas e sinas
sair da rotina de um ser intacto.

Nunca temas as vozes
algozes – atrozes
travestidos de pouco caso.

Não és o Rei deposto
ainda tens um reinado
e coroado de alento
tens a Rainha de gosto.

Tens o direito de realçar o planeta
desenhar o sorriso no papel
tirar da prancheta
e colar num rosto.

André Anlub®

21 de setembro de 2016

Árvores...


Debaixo da minha árvore

Ao pé da grande jaqueira, ao pé da letra,
Ideias alegres – pernetas –, tal qual saci Pererê.
Sou contador de histórias – voo nos meus mistérios...
Atento que o tempo é o verdadeiro remédio.

Será que não vai chover? 
Quem regará a grande jaqueira?

Nada de tempo fechado, nada de nuvens escuras;
O conto que eu conto, que conta aventuras...
Não há chuvas no meu entender.

Abrirei um parágrafo que caiba uma pequena tempestade,
Para alegrar minha árvore e satisfazer todo o verde,
Incluindo o meu flerte que se faz de enfeite ao transparecer.

E caem as águas da chuva, 
agitando as folhas que parecem dizer “sim”; 
molham meu corpo e meus aforismos; 
molham as escritas: poesias e prosas... 
regam as rosas do jardim do viver.

Árvore de Josué

Isolado no deserto, na sombra da grande árvore de Josué
Escrevo alguns singelos rabiscos líricos
Com o pensamento em nossa casa, lá, distante
Em nossos cães correndo, deselegantes...
Vindo de encontro a você.

Por um instante a alma estacionada aqui se eleva
- Não há treva nem angústia
Sinto meu corpo acompanhando
Por dentro de memórias e histórias sublimes.

Sentindo o belo em todos e em tudo
Caminhando na chuva por cima de um arco-íris sem cor
Surdo para qualquer som absurdo
Um banho de chuva e de glória.

Estou no alto e vejo-me pequenino sentado
Estendo as mãos e solto um dilúvio de letras 
Estas se unem formando versos
Eles se casam como uma bola de neve
Banham meu corpo deixando-me ainda mais extasiado.

São dois de mim que se completam
Ilustrei para expor como me sinto
Um porre de absinto de inspiração
Banho de chuva, seiva suave, 
- que salva a todos – no tudo, 
no corpo, no verão.

André Anlub®

Ótima quarta aos amigos

Hoje é o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Deficiência.

Venha participar das atividades do CCBB Educativo. A programação começa com mesa-redonda, mas tem muito mais - Veja aqui > CCBB

20 de setembro de 2016

O tempo certo da loucura


O Tempo Certo da Loucura

Nem tudo está acabado; força aos oprimidos, aos acomodados que só reclamam, aos que nem tem ideia que são oprimidos, aos que com comprimidos vão seguindo a vida e aos que vão à luta para reverter o quadro. Nessa noite tive um sonho, aquele sonho em discurso, em discussão, em dicotomia da subjetividade no espelho. Estava fora de controle, imputado no inconsciente formando oásis no deserto ou incêndios em florestas – pouco importa –, é sempre um desespero. São arestas pontiagudas ou agulhas tortas e com ferrugem... mas há de se encarar. Ao mesmo tempo, na agrura dos tempos, vi o esboço de uma obra prima, estava lá: mulher nua na escultura de Michelangelo; belos contornos, espaços, belas lacunas... estava cá e lá, e sempre esteve. Sou criterioso, ansioso, osso; sou salada em mesas dietéticas, sou massa salgada no prato fundo da dialética de alguém com a pressão alta. Dos fascínios da sorte, entrando na farta imensidão, preparo o ego absoluto: maior que o mundo e menor que a palma da mão. Sou fã de almas impuras, criativas, inquietas, que colecionam paixões às escuras. A religião – a meu ver – não pode ser descartável, quero deuses para escolher de Pai; sou órfão já na barriga magra, causando rinha, riso, raiva, “rua” em quem por mim se atrai. 

André Anlub

19 de setembro de 2016

Gatilhos errantes (16/6/14)


A espada é erguida
Em alguns pontos do planeta.
Logo em seguida
Derrama-se a tinta
Da lança chamada caneta.

Gatilhos errantes (16/6/14)

Já vai à guerra fazer o que é preciso,
Com esse brioso dom, com esse sétimo sentido,
Breve e incrivelmente leve em tal comunhão;
À sua mente: o grito grato expondo a dor
E o corpo frio que levantam do chão.

A lua untuosa ilumina o caminho,
Pés calçados na chinela velha de um guerreiro nato,
Na mão empunha a espada ao alto 
E a outra que quase esmaga
Um garrafão de vinho barato.

Hilário no seu imaginário
Com muito peixe – com muito lago
Sem vil aquário...

É pescador e nômade,
É gigante navegador,
Senhor de diamantes
Das ricas pedras sem esse valor.

Emblemática a fábula dos seres pensantes,
(no oitavo sentido)...
Bichos do mato abraçados ao calor do amor;
Flutuam como pássaros em palácios de sonhos 
(passam batido)
Esquivam-se dos ínvidos gatilhos errantes.